Por anarcopunk.org 13/05/2011 às 11:57
?Tivemos nossos filhos tirados do nosso convívio familiar violentamente por agentes do Estado Brasileiro e por Grupos de Extermínio ligados a ele?, desabafa uma das mães do movimento Mães de Maio, que na tarde desta quinta-feira (12) lançou o livro ?Do Luto à Luta? no sindicato dos jornalistas de São Paulo.
?Tivemos nossos filhos tirados do nosso convívio familiar violentamente por agentes do Estado Brasileiro e por Grupos de Extermínio ligados a ele?, desabafa uma das mães do movimento Mães de Maio, que na tarde desta quinta-feira (12) lançou o livro ?Do Luto à Luta? no sindicato dos jornalistas de São Paulo.
O livro conta a história dessas famílias que na semana de 12 a 20 de maio de 2006 tiveram seus filhos assassinados em uma onda de extermínios realizada pelas Polícias do Estado de São Paulo e grupos de extermínios criados por policiais deixando cerca de 500 pessoas mortas.
A data para o lançamento do livro não poderia ser mais significante. Nesta quinta-feira (12) completaram cinco anos desse massacre, que ainda não teve nenhum responsabilizado.
Além das mães de maio, o evento contou com os relatos de associações de mães que também tiveram seus filhos mortos brutalmente em execuções sumárias realizadas por policiais nos estados do Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Os relatos dos casos e os tramites legais levados a frente de maneira humilde e extremamente guerreira por essas mães acaba demonstrando o que a história nos confirma: A história desse país segue sendo escrita com sangue dos pobres e inocentes, derramados sistematicamente pelo Estado e seus representantes.
Relatos das omissões por parte da Justiça, por parte dos comandantes das tropas e até a maneira como essas pessoas se utilizam desses cargos para fomentar essas ações genocidas em um país onde não existe pena de morte, mas que a polícia executa quem quiser e aonde quiser tendo certeza do respaldo que receberá por parte do Estado, dos juízes e das mídias emocionaram todos os presentes. Que foram convidados pelas mães para seguir lutando por Justiça e por um mundo de respeito e solidariedade.
Entre os depoimentos das mães aconteceram intervenções poéticas realizadas por representantes da Cooperifa e do Sarau na Brasa, que participaram da realização do livro, utilizando sua poesia para denunciar as práticas genocidas realizadas pelo Estado. Desde que o primeiro Bandeirante colocou os pés neste país, vindo com suas caravelas genocidas, os povos dessas terras (e os trazidos para cá a força) nunca tiveram mais paz. Não é a toa que a própria polícia militar faz alusões históricas como sendo a continuação dos bandeirantes no Estado.
Após o lançamento do livro, as mães convidaram todos os presentes a realizar um cortejo até as escadarias da praça da sé, onde foram lançados bexigas com as fotos de todas as vítimas da polícia e do Estado brasileiro em Maio de 2006. As mães deixaram claro que lutaram insistentemente para que a morte de seus filhos não sejam esquecidas nunca e que a luta por direitos humanos é uma luta de todos.
Hoje, sexta-feira (13), as mães participaram de um ato organizado pelo ?Comitê contra o extermínio da população negra?, questionando as comemorações pelo dia da abolição da escravatura. Abolirão a escravidão, mas o genocídio do povo pobre, indígena e negro não acabou! O ato terá início ao meio dia, na praça Ramos de Azevedo.
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