Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2026

SP: doenças respiratórias lotam prontos-socorros

Terça, 11 de Setembro de 2007 às 08:21, por: CdB

A poluição e a baixa umidade triplicaram a procura por atendimento médico para as doenças ligadas ao aparelho respiratório. No pronto-socorro do Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, os atendimentos passaram de 480 em janeiro para 1.990 em agosto, uma variação de 320%.

No pronto atendimento do Hospital São Paulo, a variação é de 40% e só não é maior por não haver capacidade para mais atendimento, em torno de 80 por dia.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é o índice de 60% de umidade do ar. Abaixo de 30%, a situação é considerada crítica. Em são Paulo, esse índice chegou a atingir 11% na zona leste da cidade, nesta semana.

Os médicos dizem que na verdade esse número deve ser ainda maior, mas muitos casos acabam atendidos pelos clínicos gerais e não chegam ao pronto-socorro da especialidade. A previsão é de que a baixa umidade vá até pelo menos o começo de outubro.

Quando a umidade relativa atinge níveis como os verificados em São Paulo, há dificuldade de umidificação das vias aéreas, o que impede a filtragem do ar que vai para os pulmões, acentuando as doenças respiratórias.

Clystenes Odyr Soares Silva, chefe do pronto atendimento do Hospital São Paulo, afirma que a maior procura se dá por aquelas pessoas que têm histórico de alergia respiratória, sinusite e asma, que acabam sinalizando sintomas mais intensos.

— As pessoas que não têm essas doenças, também sentem desconforto com o ar seco, como garganta seca e coceira, voz rouca, inclusive com possibilidade de inflamação da faringe. Em alguns casos pode haver o rompimento de vasos do nariz, provocando sangramento —.

A recomendação da Defesa Civil é que a população evite atividades ao ar livre e exposição ao sol entre as 10h e 17h. É aconselhável a ingestão de bastante líquido para não ter problemas de desidratação.

Riscos à saúde

A baixa umidade relativa do ar, principalmente associada à poluição atmosférica em uma cidade como São Paulo, pode causar problemas como dores de cabeça e irritação nos olhos, nariz e garganta. Também aumentam os riscos de transmissão de doenças respiratórias e de desidratação. A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) desaconselha atividades ao ar livre e exposição ao sol entre as 10h e as 17h.

Agrício Crespo, professor de Otorrinolaringologia da Unicamp, aconselha a ingestão de muito líquido. Colocar uma bacia de água ou de uma toalha molhada no lugar onde se dorme também é recomendado. — Não vai criar fungos, como alguns dizem —. 

O especialista afirma que não é nada adequado fechar as janelas para evitar a entrada de poluição. —Isso gera a proliferação de ácaros e piora os quadros alérgicos — afirma. Segundo ele, é importante abrir as janelas para renovar o ar e manter o ambiente limpo de poeira.

A Defesa Civil de São Paulo também recomenda evitar objetos que acumulem poeira, como tapetes, cortinas e bichos de pelúcia. Aparelhos de ar-condicionado não devem ser usados, uma vez que ressecam ainda mais o ar.

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