Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Sozinho, professor não muda a educação, diz especialista

Bons salários e uma formação adequada aos professores não garantem melhoria da qualidade do ensino, acreditam educadores. “O professor é variável fundamental no processo, mas não é a única”, avalia a doutora em educação da Universidade de São Paulo (USP), Lisete Arelaro. (leia mais)

Quinta, 16 de Outubro de 2008 às 13:47, por: CdB

Bons salários e uma formação adequada aos professores não garantem melhoria da qualidade do ensino, acreditam educadores. “O professor é variável fundamental no processo, mas não é a única”, avalia a doutora em educação da Universidade de São Paulo (USP), Lisete Arelaro. No dia do professor, a especialista lembra que a educação é formada por uma série de fatores e o docente, apesar de ser peça-chave, “não muda sozinho a escola e o sistema”.

Para Lisete, o professor hoje é responsabilizado por todos os problemas da educação e carrega “uma forte carga sob os ombros”.

- Existe uma política hoje de encontrar um culpado para tudo e esse dedo está apontado para o professor. Geralmente quem faz isso são os governos, falta eles olharem para si próprios - defende.

Apesar de o docente não ser o único ator do processo educacional, a sua valorização traz impactos diretos na melhoria da qualidade da educação, defende Lisete.

- Uma boa formação, acompanhada de bons salários e condições de trabalho adequadas são variáveis que criam um resultado positivo em qualquer etapa do ensino. Essa é uma situação urgente no Brasil. Não tem jeito, educação de qualidade custa caro - aponta.

De acordo com a pesquisa A Qualidade da Educação sob o Olhar do Professor, da Fundação SM e da Organização dos Estados Ibero-americanos feita com 8 mil professores em 19 estados, mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados pela sociedade. O cenário não muda dentro da escola, onde 75% acha que a administração do colégio ou mesmo da secretaria de educação de sua cidade não reconhecem a importância da categoria.

De acordo com Lisete, o ensino público deficiente que existe hoje no país é resultado dos baixos investimentos na área.

- Estamos colhendo os resultados negativos de muito discurso e pouco recurso. O desafio agora é a população se conscientizar e fiscalizar como esse dinheiro está sendo gasto - acredita.

Ela defende que aspectos pouco discutidos como o número de alunos por professor e até mesmo o espaço físico das salas de aula influenciam no processo de aprendizagem e modificam o resultado final.

- A desvalorização do professor é apenas um dos problemas, porque na educação não há um fator exclusivo que você mexe nele e tudo se resolve - avalia.

Leda Fiorentini, professora do departamento de métodos e técnicas da Universidade de Brasília (UnB), recomenda que a educação seja encarada como um problema de toda a sociedade. “O professor tem uma grande responsabilidade, mas também o Poder Público, os órgãos federais, municipais, estaduais e a própria comunidade”, indica.

A educadora lembra que “não existe fórmula”.

- A gente não pode dizer que há uma regra que alcance todos os lugares. Nosso país é enorme, cheio de variáveis diferentes que interferem no processo. A solução é buscar esses caminhos. Às vezes as pessoas pensam que é só escolher um modelo e encaixar o professor ali, mas não funciona assim - alerta Leda.

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