Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Sou Charlie hoje, como era Pasquim nos anos Médici

Por Celso Lungaretti - Sacrilégio é tirar vidas, não satirizar profetas. Não se relativiza a barbárie. Nada justifica a persistência da barbárie em pleno século 21. Fins e meios estão em permanente interação dialética, modificando-se e impregnando-se mutuamente, de forma que agrupamentos coniventes com assassinatos bestiais de não-combatentes como meio projetam, como fim, sociedades nas quais os assassinatos bestiais de civis serão consentidos.

Domingo, 11 de Janeiro de 2015 às 10:07, por: CdB
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Hoje em Paris, a Europa repudia a violência e defende a conquista francesa da laicidade e da liberdade de expressão. O Direto da Redação é também Charlie Hebdo
Sacrilégio é tirar vidas, não satirizar profetas. Não se relativiza a barbárie. Nada justifica a persistência da barbárie em pleno século 21. Fins e meios estão em permanente interação dialética, modificando-se e impregnando-se mutuamente, de forma que agrupamentos coniventes com assassinatos bestiais de não-combatentes como meio projetam, como fim, sociedades nas quais os assassinatos bestiais de civis serão consentidos. O final da Idade Média significou, entre outras coisas, que não mais se imporiam pela força os valores religiosos àqueles que não os compartilham. Inquisição, nunca mais! Massacres em nome de profetas, aiatolás, pastores, santos e papas, nunca mais! Censura taciturna, nunca mais! É totalmente desumana a postura dos que buscam nos atos das vítimas pretextos para atenuarem a culpa dos autores de uma carnificina. Será totalmente desumana uma sociedade em que a sátira política for vedada, o humor respondido com balas e bombas. Já tivemos duas assim no Brasil, sob Getúlio e sob os tiranos fardados. charlie 4 Sou Charlie hoje, como era Pasquim nos anos Médici, quando boçais sinistros de outro tipo prendiam e intimidavam os membros da equipe. Sobrevivente consequente dos anos de chumbo nenhum, e nenhum verdadeiro homem de esquerda, têm o direito de negarem a monstruosidade do atentado contra a liberdade que acaba de ser cometido na França. [Até porque a identificação com atrocidades presentes e vindouras comprometeria terrivelmente nossa credibilidade quando fôssemos travar lutas justas e necessárias, no sentido de darmos um fim ao pesadelo capitalista e prepararmos o advento de um estágio superior de civilização.] Muito menos de negarem a covardia e vilania extremas dos carrascos de 7 de janeiro, pois combatentes de verdade travam sua guerra contra outros combatentes, não contra civis totalmente indefesos como o octogenário Wolinski. Celso Lungarettijornalista e escritor, foi resistente à ditadura militar ainda secundarista e participou da Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e processado, escreveu o livro Naufrago da Utopia. Tem um ativo blog com esse mesmo título.   Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.
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