Cinco dias depois de protagonizar uma surpreendente reviravolta eleitoral e devolver ao poder a família que dirigiu a Índia por 37 anos, Sonia Gandhi praticamente desistiu de tornar-se primeira-ministra do país.
Uma fonte de alto escalão de seu Partido do Congresso disse nesta terça-feira que Gandhi, uma italiana católica, se recusa a aceitar o posto devido a ataques da oposição à sua origem.
- Ela não quer aceitar o cargo neste tipo de atmosfera. Toda decisão que ela tomar, a oposição tocará em sua origem estrangeira - disse a fonte.
Desde sua humilhante derrota nas eleições da semana passada, o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata lançou uma campanha azeda contra Gandhi devido à sua origem italiana. Líderes do BJP ameaçaram deixar o Parlamento.
Gandhi encontrou-se nesta terça-feira com o presidente da Índia, Abdul Kalam, dizendo que precisa de mais cartas de apoio de seus aliados comunistas. Mas seu partido a pressiona a aceitar o cargo, após mais de 320 legisladores do Parlamento de 545 assentos terem prometido apoiar sua coalizão de governo.
Analistas afirmam que o ex-ministro das Finanças e arquiteto das reformas econômicas da Índia, Manmohan Singh - que acompanhou Gandhi no encontro com o presidente - seria o líder alternativo mais provável, caso ela desista de tornar-se premier.
Em reação à incerteza, a bolsa de Bombaim abriu em alta, após o dia de maior queda em 129 anos de História da Índia - provocado por temores em relação à política econômica do novo governo.
À medida que a notícia da dúvida de Gandhi se espalhava, multidões de simpatizantes se concentravam em frente à sua casa em Nova Délhi, para convencê-la a assumir o cargo.
Alguns meios de imprensa especulam que a aparente indecisão de Gandhi seria apenas uma tática para conseguir mais aliados e unir o país em torno dela, diante dos ataques do BJP.
Cidadã indiana, Gandhi, de 57 anos, seria a primeira premier da Índia nascida no exterior e o quarto chefe de governo da dinastia Nehru-Gandhi, que controla o Congresso.