O presidente da Federação Internacional dos Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca), Marc Baumgartner, criticou a atitude do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação à crise nos aeroportos brasileiros e alertou que qualquer medida anunciada para solucionar os problemas a curto prazo "não resolverá os obstáculos que a aviação no Brasil enfrenta".
- Uma solução definitiva só será encontrada quando houver uma estratégia que inclua uma gradual transformação do controle militar ao civil na aviação comercial brasileira. Esse processo irá levar entre sete e oito ano - Baumgartner acompanha de perto a evolução da polêmica envolvendo o setor aéreo brasileiro desde o choque entre o Legacy e o avião da Gol, em setembro do ano passado. No acidente, 154 pessoas morreram.
- Não adianta o governo prometer que irá dar uma solução definitiva até a Páscoa, pedir uma data, prazo ou algo do gênero. Não resolve. O que a população precisa saber é qual a estratégia que será adotada para modernizar o sistema. Caso contrário, os problemas voltarão a ocorrer em alguns meses - afirmou Baumgartner. Segundo ele, o que o país precisa é rever todo o seu sistema aéreo, a infra-estrutura dos aeroportos e suas políticas para o setor.
Os especialistas no exterior apontam que a decisão do Brasil de manter o controle aéreo em mãos militares impede que agências internacionais criadas nas últimas décadas tenham possibilidade de criar acordos de cooperação com o país. Uma delas é a Organização dos Serviços de Navegação da Aviação Civil (Canso), com sede na Holanda, que tem estabelecido acordos entre mais de 50 países para o desenvolvimento de uma coordenação nos sistemas de navegação dos vários continentes. O Brasil, por ter um sistema militar, não pode fazer parte do esquema de cooperação.