As unidades militares israelenses que participarão da evacuação do território palestino ocupado de Gaza, em julho, serão "preparadas mentalmente" para essa missão, segundo uma ordem do comandante das Forças Armadas, general Moshe Yaalon.
A ordem, informa, nesta quinta-feira, a imprensa local, faz parte de um guia de normas destinadas a enfrentar o problema dos soldados que, por razões ideológicas ou pessoais, se negarem a cumprir as disposições de seus superiores no momento de ter de retirar de suas casas os colonos dos assentamentos judaicos.
Além de soldados do exército regular e da reserva, na operação participarão 18.000 policiais para impedir que colonos da Cisjordânia entrem na Faixa de Gaza para reforçar os que resistirem ao desalojamento.
O governo de Ariel Sharon aprovou no domingo passado por grande maioria no Conselho de Ministros a aplicação da lei de evacuação e indenização aos colonos, mas a maioria destes, segundo seus dirigentes, se dispõem a resistir ao desalojamento.
Uma das cinco normas básicas é que toda insubordinação será castigada: os chefes não eximirão nenhum soldado de cumprir a missão, a menos que resida em algum dos assentamentos, que serão evacuados a partir de 20 de julho, e os julgamentos contra os que se recusarem serão individuais.
Os soldados que tenham manifestado sua oposição a prestar esse serviço e se arrependerem, não serão castigados, e os chefes que se negarem a participar da evacuação, serão dados de baixa.
Acredita-se que será alto o número de dissidentes entre os soldados do setor nacional religioso, e entre os que residem em assentamentos de Gaza ou da Cisjordânia.
O general Yaalon, que será substituído em julho pelo ex-comandante da Força Aérea, general Dan Jalutz, declarou que as Forças Armadas de Israel, um Exército do povo, "não pode dar-se ao luxo de deserção por motivos políticos, de direita ou esquerda".
Vários rabinos dos que oficiam nos assentamento judeus e são funcionários do Estado com esse caráter, chamaram os soldados a desobedecer a ordem de despejar aos colonos, mas por enquanto nenhum deles foi levado a julgamento por incitar a rebelião.
A imprensa israelense também informa que o pessoal militar do corpo de engenheiros está treinando para o caso de ter que demolir as casas dos colonos, se o governo não chegar a um acordo sobre seu futuro com a Autoridade Nacional Palestina (ANP).
Soldados israelenses são preparados mentalmente para retirada de colonos
Quinta, 24 de Fevereiro de 2005 às 03:21, por: CdB