Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Soldados israelenses matam oito palestinos em campo de refugiados

Segunda, 03 de Março de 2003 às 06:31, por: CdB

Tanques e soldados israelenses invadiram nesta segunda-feira um campo de refugiados da faixa de Gaza, matando oito palestinos em novos confrontos que eclodiram durante a prisão de um líder do grupo islâmico Hamas. Funcionários de um hospital disseram que uma palestina grávida, de 33 anos, morreu ao ser atingida pelos escombros da casa de um militante, demolida pelos israelenses. Um menino de 13 anos teria sido morto a tiros. A Autoridade Nacional Palestina disse que a ocupação do campo de Bureij, encerrada já ao amanhecer, demonstra a intenção israelense de ampliar suas ações na faixa de Gaza, num momento em que os olhos do mundo estão voltados para a crise do Iraque. Segundo o hospital local, entre os mortos estão também um policial, um militante do Hamas e dois civis. Pelo menos 40 palestinos ficaram feridos. Testemunhas disseram que o objetivo da operação era a prisão de Mohammed Taha, 67, que em 1987 participou da fundação do Hamas, e de seus três filhos. "Os soldados entraram na casa sem que ninguém soubesse. Eles bateram no pai e o levaram preso quando ele desmaiou", afirmou Hassan, um dos filhos de Taha. Há vários meses Israel promete desmantelar as redes do Hamas na faixa de Gaza. Segundo testemunhas locais, os soldados chegaram em jipes brancos, parecidos com os da polícia palestina, e em Mercedes amarelos, iguais aos táxis. No momento da invasão, os tanques faziam manobras do lado de fora de Bureij, para distrair a atenção. "Eles entraram no campo silenciosamente, usando o disfarce das forças especiais, e conseguiram ocupar a casa de Taha", disse um combatente do Hamas, no comando do grupo que enfrentou as tropas israelenses hoje. Segundo os palestinos, cerca de 35 tanques participaram da operação. Um tenente-coronel israelense, que se identificou como Ron, afirmou que esse número é exagerado e que não houve vítimas entre os civis. "Sei de muitos homens armados que foram mortos", afirmou. O Exército afirma que Taha e vários de seus filhos tiveram participação em atentados contra israelenses nos últimos meses. Os soldados disseram ter encontrado um cinturão de explosivos na casa demolida. Testemunhas afirmaram ainda que outras três casas, de militantes da Jihad, também foram demolidas. Uma mesquita próxima à casa de Taha teria sido danificada. O Hamas prometeu vingança pela ação. Neste domingo, Israel já tinha feito uma ocupação semelhante no campo de Khan Younis, também na faixa de Gaza, matando pelo menos dois palestinos. Ainda no domingo, um tiroteio teria resultado na morte de um menino de nove anos. Pelo menos 1.887 palestinos e 706 israelenses já morreram nos 29 meses da atual fase da rebelião palestina.

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