Chefe de política externa da União Européia (UE), Javier Solana e o negociador-chefe iraniano para questões nucleares, Ali Larijani, reuniram-se nesta quarta-feira em Berlim para buscar o fim do impasse sobre o programa nuclear do Irã, disse a embaixada iraniana. Na semana passada, Larijani deveria ter se encontrado com Solana em Nova York, mas não apareceu para a reunião.
- A reunião foi definida já no fim da noite desta terça-feira - disse um diplomata ocidental em Berlim.
Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China ofereceram em conjunto ao Irã um pacote de incentivos econômicos e políticos em troca da suspensão definitiva do programa de enriquecimento de urânio, material que eles temem que possa ser usado para construir armas atômicas. Teerã diz que as atividades nucleares visam apenas a geração de energia com fins pacíficos.
O jornal Washington Times afirmou esta semana que o Irã estava próximo de fechar um acordo que incluiria a suspensão temporária do enriquecimento de urânio, por 90 dias, para permitir as negociações. Uma agência de notícias iraniana, no entanto, citou declarações de uma autoridade nuclear negando que haja planos de suspensão. Autoridades francesas disseram que Larijani ofereceu, numa reunião com Solana, no início do mês, pensar na possibilidade de uma suspensão temporária.
Segundo diplomatas, os detalhes dessa possível suspensão seriam discutidos na reunião de quarta-feira em Berlim. Se o Irã não suspender o enriquecimento de urânio, os EUA e o UE3 (França, Alemanha e Grã-Bretanha) devem pedir ao Conselho de Segurança da ONU que imponha sanções sobre a República islâmica. A China e a Rússia preferem negociar mais.
Um diplomata europeu, no entanto, confirmou informações da revista alemã Der Spiegel segundo as quais o UE3 estaria disposto a dar início às negociações mesmo se o Irã não tiver suspendido ainda as atividades com combustível nuclear. Os Estados Unidos só entrariam na negociação quando a suspensão temporária já estivesse em vigor.
- A idéia é conseguir colocar o Irã de volta na mesa de negociação - disse a fonte.