O chefe da área de política externa da União Européia (UE), Javier Solana, citou pela primeira vez, nesta sexta-feira, a possibilidade de o Irã ser punido com sanções devido a seu programa nuclear. Mas outras autoridades do bloco ressaltaram a necessidade de haver um consenso entre as grandes potências mundiais. Em entrevista concedida ao jornal austríaco Der Standard e publicada quando Solana dava início a uma reunião em Salzburgo, o chefe da área de política externa afirmou não descartar a possibilidade de aplicar sanções se os iranianos não conseguirem afastar os temores de que pretendem desenvolver armas atômicas.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve tratar do caso depois de o quadro de diretores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ter concluído uma rodada de reuniões na quarta-feira sem chegar a um acordo para acabar com o impasse em torno das ambições nucleares do Irã.
- Não descarto as sanções. Mas isso depende de que tipo de sanções. Certamente, não desejamos prejudicar o povo iraniano. Isso não será fácil para o Conselho de Segurança - afirmou Solana ao mencionar pela primeira vez, de forma explícita, a possibilidade de se adotar restrições econômicas contra o país islâmico.
Os EUA, que já impõem sanções unilaterais contra o Irã, vêm pressionando para que a comunidade internacional adote uma postura mais firme no sentido de isolar a República Islâmica. Embaixadores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança -- EUA, Grã-Bretanha, França, Russa e China -- devem se reunir novamente na sexta-feira para trabalhar em um comunicado que, segundo esperam as potências ocidentais, será adotado pelos 15 países-membros do órgão na próxima semana.
Consenso
A UE, por meio da França, da Grã-Bretanha e da Alemanha, abriu negociações com o Irã dois anos e meio atrás na esperança de convencer o país a abrir mão de seu programa de enriquecimento de urânio em troca de incentivos econômicos e políticos. As negociações entraram em colapso em agosto depois de o Irã ter retomado as atividades relacionadas com o processamento de urânio. Um encontro de última hora, realizado na sexta-feira, não conseguiu produzir nenhum acordo entre as duas partes.
Diplomatas dizem que os chanceleres da UE ainda não discutiram a imposição de sanções contra o Irã, quarto maior exportador de petróleo do mundo, e que não havia certeza sobre se tratariam da questão no encontro de dois dias em Salzburgo. A comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, disse em uma entrevista coletiva concedida pouco antes do início da reunião que ainda havia espaço para uma solução baseada na proposta da Rússia de enriquecer o urânio iraniano no território russo por meio de uma joint venture.
O Irã insiste em realizar essas atividades em seu próprio território. Questionada sobre se a UE estudava a possibilidade de impor sanções, ela respondeu:
- Temos de avaliar isso muito cuidadosamente a fim de preservar o consenso entre os grupos e, em especial, o consenso entre os cinco membros permanentes (do Conselho de Segurança).
Segundo Ferrero-Waldner, a UE não deveria se deixar impressionar pela ameaça iraniana de provocar "danos e dor". A Rússia e a China são contrárias à imposição de sanções ao Irã, que diz desejar dominar a tecnologia nuclear apenas para aplicá-la na produção de eletricidade.
- O Conselho de Segurança trabalhará em um comunicado presidencial para confirmar novamente a autoridade da agência (AIEA). A discussão sobre esse comunicado precisa começar agora. Sanções de algum tipo não podem ser descartadas em um estágio futuro. Vamos ver o que o Conselho de Segurança fará. Precisamos pesar todas as nossas opções - afirmou Solana.
O ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, disse na sexta-feira que a França preferia uma solução política para a disputa ao invés de u