Empresa se prepara para lançar soja transgênica resistente a ingredientedo Agente Laranja
Car@s Amig@s,
Após anos vendo a Monsanto surfar na onda do monopólio sobre o mercadode sementes transgênicas e seus agrotóxicos associados, a Dow AgroSciencesacredita ter chegado a sua vez de entrar com mais força na jogada. Para issoanuncia entusiasmada sua "grande inovação", que vem justamente norastro deixado por anos seguidos de monoculturas resistentes ao herbicidaRoundup. Sua solução para a lavoura também é uma soja transgênica resistente aherbicidas, só que agora resistente a três de uma só vez. Entre eles está oglifosato, do Roundup, o glufosinato de amônio e nada menos que o 2,4-D,ingrediente do Agente Laranja usado na guerra do Vietnã. Gerações foramvitimadas pelo contato com o produto, como bem mostra o documentário Oveneno está na mesa, do cineasta Silvio Tendler.
Com o nome de Elinst, que vem do inglês e traz a ideia de superação,essa semente, se aprovada, levará esses venenos diretamente à mesa das pessoas,na forma de resíduos tecnicamente permitidos. O pedido já está no Departamentode Agricultura dos Estados Unidos. Aqui no Brasil o processo também anda. Osdoutores da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança já deram aval para aempresa instalar campos experimentais, que é uma etapa obrigatória antes de sepedir a liberação comercial do produto.
Nas ocasiões em que questionou-se na CTNBio o enorme retrocesso do pontode vista do meio ambiente e da saúde pública que essa tecnologia representa,rapidamente ergueu-se um coro para encerrar o assunto dizendo que não cabeàquele colegiado discutir agrotóxicos e que seu papel é apenas o de avaliar aparte genética da coisa. Postura compatível com a de seu presidente, que dissea um jornal de circulação nacional que as pessoas podem até beber o glifosatoque não morrerão.
Pela lei, registro de agrotóxicos e outros cai na seara da Anvisa, Ibamae Agricultura, mas cabe a pergunta: os técnicos da CTNBio desconhecem osimpactos do 2,4-D? Acham moralmente aceitável levar adiante essa proposta,ainda que dentro da legalidade?
O modelo de sementes geneticamente modificadas para resistência aherbicidas já fez com que a soja no Brasil tenha 50 vezes mais resíduos deglifosato do que antes e o milho, 10. É um sistema que leva a maismonoculturas, que por sua vez levam a mais pragas e plantas imunes aos venenos,que por sua vez levam a mais transgênicos e mais agrotóxicos. Como resume a Dowem um de seus vídeos promocionais, "isso é negócio”.
[Fonte: Número 552 - 26 de agosto de 2011].