Um programa criado pela empresa dinamarquesa Plass Data Software vai ajudar as equipes que trabalham na estafante e complicada tarefa de identificar os corpos encontrados nos países atingidos pelo maremoto na Ásia. O Sistema Internacional DVI (de disaster victim identification, identificação de vítimas de desastres) foi desenvolvido em conjunto com as polícias da Dinamarca e da Noruega, e trabalha com as recomendações da Interpol para a identificação de vítimas.
O trabalho é basicamente simples: integrantes das equipes de reconhecimento (entre eles dentistas, médicos, enfermeiros e investigadores) fazem a autópsias dos corpos não-identificados. Tecido muscular é extraído dos corpos, os dentes são retirados ou expostos ao raio-x e, quando possível, as impressões digitais do cadáver também são registradas. Depois, esses especialistas preenchem um longo formulário com essas e outras informações, como formato do nariz e das unhas, tatuagens ou outras marcas especiais, cor dos olhos, dos cabelos, presença de anéis, relógio.
Depois, a análise do DNA é realizada e, junto com os demais dados, é registrada na enorme base de dados da Interpol. Estas informações podem ser comparadas com dados das pessoas antes de elas terem desaparecido e tudo o mais que a família puder fornecer - amostras de cabelo, descrição física detalhada. Quando há uma chance de compatibilidade, é feita a identificação formal.
- Trabalhamos com informações dos dois lados, do que você encontra e do que você perdeu - explica Claus Hoffenbald, diretor de desenvolvimento da Plass Data Software.
- Nosso sistema pode dizer quem é quem.
O programa roda em diversos idiomas em um laptop, e só pode ser utilizado com o sistema operacional Windows 2000 ou XP. Os dados podem ser enviados ou simplesmente compartilhados com outras pessoas que trabalhem no mesmo desastre. Na Tailândia, por exemplo, templos budistas foram temporariamente transformados em necrotérios, e o software vem sendo utilizado, assim como em Sri Lanka.
Trabalho lento
Apesar de economizar tempo (e um bom tempo), o uso do programa não garante resultados mais rápidos neste caso. "Em função do número de vítimas a serem identificadas, e considerando que serão executadas verificações dentárias e de DNA, além das impressões digitais, que esse trabalho levará meses", afirma o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble.
É difícil também dizer se os especialistas conseguirão identificar todas as vítimas, principalmente com tantos corpos já inchados por ficarem dias na água, ou em adiantado estado de decomposição devido ao clima tropical e à ausência de refrigeração.
Software ajuda a identificar vítimas do tsunami
Quarta, 05 de Janeiro de 2005 às 14:12, por: CdB