Por Julio César Wandekoken Filho - Contra o Fluxo 27/05/2011 às 08:53
Pense.
Vivemos hoje em uma sociedade na qual excessos se tornaram normais, vivendo em uma economia em que o significado da palavra é antagônico a sua definição atual. Nossa Economia não tem nada de econômico, hoje em dia, por exemplo, a durabilidade de um determinado objeto que pode ser comprado, é inversamente proporcional ao crescimento e à preservação da nossa Economia Mundial, isso mesmo, quanto mais frágil for um objeto que você compra, melhor é para a Economia Mundial, pois assim faz o capital sempre girar. Será que esse nosso método de viver é viável em um planeta com recursos finitos? A verdade é que ninguém se importa, e isso infelizmente é uma herança deixada para nós. Somos condicionados desde pequenos a pensarmos apenas em nosso favor, não nos importamos se nosso modo de vida é sustentável, desde que não soframos com as consequências, que na maioria das vezes vem apenas em longo prazo, e é deixada como presente para a próxima geração. Infelizmente, esse egoísmo que nos foi deixado de herança, nos foi meticulosamente implantado de modo que muitos não conseguem ao menos ver. Fomos condicionados a sermos indivíduos extremamente egoístas desde pequenos, pela própria sociedade, que nos ensinou, e aprendemos com demasiada maestria. Mas, por que fomos condicionados a sermos egoístas? Simplesmente porque para o nosso modo de vida, é um pré-requisito. Como não foi possível esconder o contraste social, nos fizeram acreditar que ele é normal, assim não causaria mais o impacto nas pessoas e consequentemente não despertaria a revolta, que é necessária para começar uma revolução em nosso modo de vida, assim nos fazendo adotar o ?bom? e velho conformismo. Fizeram-nos acreditar que aqueles que estão nas mazelas da sociedade, nos becos da exclusão social, estão ali, por conta própria, porque foram incapazes, e pensando bem, foi uma boa estratégia, porque assim logo nosso sentimento de compaixão com o próximo, se extingue. Logo, não mais nos sensibilizamos com as dores do próximo, o que nos torna menos humanos. É isso mesmo, a cada passo que damos rumo à ?evolução?, retrocedemos no quesito humanização, estamos a cada dia que passa, sendo condicionados a nos tornar menos humanos. Nós seres humanos, somos sociáveis por natureza, eu diria que, talvez, um dos piores castigos para o ser humano é a solidão, porém estamos nos tornando uma espécie que já não liga para o bem estar de seu semelhante, não mais agimos como um todo, mas como tolos, tentamos agir individualmente dentro de um todo. Não me surpreende que mesmo vivendo junto a um mar de pessoas, indivíduos conseguem se sentir isolados, em uma grande solidão, mesmo estando em um mar de semelhantes. Precisamos lutar contra esses condicionamentos em que a sociedade nos impõe, precisamos nos agarrar ao companheirismo, e fazer surgir novamente a esperança de um mundo altruísta, não só pelo melhor estar de seu semelhante, mas também para o nosso próprio bem estar, precisamos nos libertar dos excessos. Antigamente os homens viviam um menor período de tempo, hoje com o avanço da tecnologia e da Medicina vivemos um maior período de tempo, porém a impressão que temos é que vivemos menos, vivemos mais tempo, porém em menos intensidade. Somos abarrotados de excessos, excessos de compromissos, excessos de pressões sociais, de competições, de metas, cobranças e quando vamos ver, anos se passaram e parece que o sopro divino de vida esgotou-se e você se torna uma pessoa amargurada, de semblante cansado e sem vontade de viver. Temos que tomar muito cuidado para não contrairmos o vírus que a sociedade insiste em nos passar, porque uma vez infectado, irá te cegar da verdade e lhe fará viver para ser apenas mais uma engrenagem em todo esse sistema fétido e egoísta que chamamos de sociedade.
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