Sociedade civil repudia censura interna da Folha de S. Paulo
Por Gilberto de Souza - Um dos mais prestigiados jornalistas brasileiros, colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, Xico Sá pediu demissão nesta segunda-feira, após ter o ser artigo censurado pela direção, alinhada à campanha do tucano Aécio Neves, porque declarava os motivos de seu voto na candidata petista, presidenta Dilma Rousseff.
Xico Sá é um dos mais prestigiados colunistas brasileiros, que pediu demissão após ter artigo censurado
Um dos mais prestigiados jornalistas brasileiros, colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, Xico Sá pediu demissão nesta segunda-feira, após ter o ser artigo censurado pela direção, alinhada à campanha do tucano Aécio Neves, porque declarava os motivos de seu voto na candidata petista, presidenta Dilma Rousseff. Diante do escândalo, uma vez que o principal argumento daquele e de outros veículos subordinados às forças da direita, para criticar a edição de um marco regulatório da mídia, seria a suposta tentativa de censura da imprensa, a seção fluminense do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé divulgou nota, no início da noite. No documento, a organização da sociedade civil protesta contra a censura empregada na Folha de São Paulo contra os profissionais que se posicionam politicamente ao lado da candidatura de centro-esquerda.
Leia, a seguir, a íntegra da nota divulgada:
"O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão do Itararé vem a público manifestar total apoio ao jornalista Xico Sá, que se viu obrigado a pedir demissão do diário Folha de São Paulo, após ser censurado pela direção de redação.
"O jornal, sabidamente, esteve ao lado da ditadura civil-militar instalada no Brasil a partir de 1964 e, historicamente, defendeu em suas páginas o que de mais conservador e tacanho a política nacional já produziu.
"O comportamento diante da manifestação de Xico Sá, um dos mais dignos representantes do jornalismo nacional, constitui-se em um flagrante da censura que ainda permanece nos jornais do oligopólio da mídia, e dá um exemplo do que ocorrerá no país caso a candidatura Aécio prospere nas urnas.
"Os jornalistas do Estado de Minas Gerais sofreram toda sorte de perseguição durante as gestões de Aécio e de seus correligionários, ocorrendo até mesmo caso de prisão de jornalistas, como Marco Aurélio Carone, diretor proprietário do Novo Jornal, preso por publicar reportagens que contrariavam o interesse do grupo tucano em MG.
"Na defesa da democratização dos meios de comunicação, e como instrumento que luta para tornar realidade esta utopia nacional, o Barão de Itararé protesta veementemente contra este arbítrio e pede que todas as entidades de defesa dos jornalistas do país façam o mesmo.
"A democracia é um bem comum e não pode estar à mercê de um oligopólio centenário que a usa ao seu bel prazer.
"Barão de Itararé"
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