A oposição socialista de Portugal conquistou neste domingo sua maior vitória nas urnas, dando ao primeiro-ministro eleito José Sócrates uma maioria absoluta no parlamento, algo que lhe permitirá implementar planos para a retomada do crescimento no país mais pobre da Europa ocidental.
Os socialistas conquistaram 120 das 230 cadeiras do parlamento, a primeira maioria absoluta obtida por um partido na última década no país. A vitória ganhou ainda mais legitimidade em vista do grande comparecimento às urnas.
Sócrates, que derrotou o primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, de centro-direita, disse desejar que o quarto governo português dos últimos três anos recupere a confiança no país, onde o desemprego atingiu seu maior nível dos últimos sete anos, 7,1%, em 2004.
- O Partido Socialista possui uma maioria para governar Portugal. Essa não é uma maioria concedida como forma de protesto. Esse é o caminho para construir um novo Portugal - disse Sócrates, 47 anos.
Carros enfeitados com bandeiras do partido percorriam a avenida Liberdade, em Lisboa, para celebrar a vitória, a maior dos socialistas desde que, em 1974, uma revolução derrubou a ditadura militar e fundou um regime democrático.
O novo premier enfrentará grandes desafios, entre os quais retomar o crescimento econômico e diminuir o déficit público. Para muitos analistas, a vitória folgada de Sócrates era motivo de otimismo. "O resultado será bom para os mercados", disse Pedro Correia da Silva, diretor de um fundo de investimentos.
O presidente português, José Sampaio, determinou a dissolução do parlamento em dezembro depois de um período de instabilidade no governo.
Santana Lopes estava no poder havia apenas sete meses, depois de substituir José Manuel Barroso, que deixou o posto de premiê para comandar a Comissão Européia, Poder Executivo da União Européia.