Os socialistas franceses procuram uma unidade perdida no congresso do partido, que se realiza entre sexta-feira e domingo em Mans, com de olho nas vitória nas eleições legislativas e presidenciais de 2007. Tendo por lema "Com os socialistas, um projeto para a França", o Partido Socialista francês (PSF) quer sair unido deste congresso, já que neste momento não conquista a confiança da maioria dos franceses.
Segundo pesquisa publicada neste sábado, 67% dos franceses pensam que o PSF "não tem projeto para a França" e 56% criticam os socialistas por "não estarem suficientemente próximos" das suas preocupações. O resultado é que 60% dos pesquisados, no inicio da semana, prevêem uma derrota do PSF em 2007.
- O que nos pedem os nossos eleitores e que os socialistas estejam unidos num projecto, uma estratégia, uma perspectiva - afirmou o primeiro secretário, François Hollande, numa entrevista a televisão France 3.
Líder da moção vencedora (53,6%) na votação interna, o líder socialista defende uma aliança entre as principais correntes no partido, uma "síntese" das cinco moções que foram apresentadas aos militantes. O objetivo é evitar a divisão interna registada no congresso anterior, em Dijon, em 2003, ou o famoso congresso de Rennes, em 1990, quando sete moções e uma luta fratricida entre Laurent Fabius, Lionel Jospin e Michel Rocard quase destruíram o partido de François Miterrand.
Na barricada oposta a Hollande estão a corrente Novo Partido Socialista (NPS), representada por Vincent Peillon, Arnaud Montebourg e Henri Emmanuelli, cuja moção ficou em segundo lugar, com 23,5%, e a corrente animada por Laurent Fabius, que apenas conseguiu 21,1% dos votos dos militantes.
O NPS mostra-se pouco confiante numa aliança com uma direção que não caminha no sentido da "renovação" que exigem, impondo varias condições, entre as quais a defesa dos direitos sociais. Já do lado de Fabius parece haver uma abertura a unidade, exigida pelo Estado do pais, que o ex-primeiro-ministro considera "grave", mas impõe "uma linha claramente de esquerda".
- É preciso que os socialistas proponham soluções - frisou Fabius neste sábado, em Paris, à saída de um encontro com Hollande, rompendo com um silencio de vários dias após a derrota na votação das moções.