Socialistas espanhóis se dividem sobre escolha de novo líder
Por Emma Pinedo
MADRI (Reuters) - Os socialistas espanhóis, devastados nas eleições locais, agora estão divididos quanto a como escolher o sucessor do impopular primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, que desagradou aos eleitores com dolorosas medidas de austeridade.
O desemprego espanhol atingiu o índice mais alto na União Europeia, enquanto Zapatero - que não vai se candidatar a um terceiro mandato - cortou os gastos públicos para impedir a Espanha de ser sugada para dentro da crise da zona do euro que já atingiu a Grécia, Irlanda e Portugal.
Os candidatos mais cotados para assumir seu lugar são o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, veterano do Partido Socialista, e a ministra da Defesa, Carme Chacón, política catalã jovem e a primeira mulher a comandar a pasta da Defesa no país.
O processo de seleção começará no sábado, mas há divergências no interior do partido sobre se um dos candidatos deve ser obrigado a afastar-se por enquanto ou se será iniciada uma fase primária de 40 a 50 dias de duração, em um momento em que o governo está sendo pressionado a convocar eleições antecipadas.
"Honestamente, não quero um acordo fechado nos bastidores", disse à rádio espanhola Cadena Ser o ministro das Obras Públicas, José Blanco, líder partidário de alto escalão que é visto por muitos como sendo o responsável por "coroar" políticos no Partido Socialista.
Mas outros socialistas destacados discordaram.
"Não precisamos de um processo no Partido Socialista neste momento, quando está ocorrendo uma competição interna entre candidatos. A melhor coisa, na minha opinião, seria haver apenas um candidato, mas as primárias constituem um bom procedimento que o partido estabeleceu", disse em Bruxelas o deputado socialista no Parlamento Europeu Diego López Garrido.
O Partido Popular, agrupamento oposicionista de centro-direita que derrotou os socialistas redondamente nas eleições locais, pediu a Zapatero que convoque eleições parlamentares antecipadas.
Os custos dos empréstimos contraídos pela Espanha subiram vertiginosamente, e o líder do PP, Mariano Rajoy, diz que o governo de Zapatero não conseguiu convencer investidores estrangeiros de que a Espanha não será o próximo país da zona do euro a mergulhar em uma crise fiscal de grandes proporções.
Mas o PP não chegou a dizer que vai propor ao Parlamento a votação de uma moção de não confiança, dizendo em lugar disso que o governo deve buscar um voto de confiança no Parlamento.
Pelas regras do Partido Socialista, o partido dará aos candidatos o prazo de 15 a 20 dias, a partir do sábado, para declararem suas candidaturas e buscarem o apoio dos membros ou líderes do partido.
Se houver uma disputa pela liderança, o processo levará duas a três semanas adicionais.
Reuters