Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Socialista quer espanhóis fora do Iraque

O futuro primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse nesta segunda-feira que vai retirar as tropas do país da "desastrosa" ocupação do Iraque, o que significa uma importante mudança na política externa pró-Estados Unidos mantida pelo seu antecessor, José María Aznar. (Leia Mais)

Segunda, 15 de Março de 2004 às 16:15, por: CdB

O futuro primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse nesta segunda-feira que vai retirar as tropas do país da "desastrosa" ocupação do Iraque, o que significa uma importante mudança na política externa pró-Estados Unidos mantida pelo seu antecessor, José María Aznar.

Preocupada pelos crescentes sinais de que o atentado de quinta-feira em Madri foi cometido por militantes islâmicos, a União Européia (UE) convocou uma reunião emergencial para discutir medidas contra o terrorismo.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Zapatero, conseguiu uma impressionante vitória eleitoral no domingo sobre o Partido Popular, de Aznar. O resultado, segundo analistas, é um reflexo dos atentados da semana passada e representa a primeira vez que os militantes islâmicos influenciam pela violência o resultado de uma eleição em um país importante do Ocidente.

Mas Zapatero considerou que seu triunfo foi a primeira consequência da impopularidade da guerra do Iraque junto aos espanhóis. "A segunda será o retorno das tropas espanholas'', disse ele a uma rádio local.

- O senhor Tony Blair e o senhor George W. Bush devem fazer alguma reflexão e autocrítica. Não se pode organizar uma guerra com mentiras - disse ele, em comentários notavelmente francos em se tratando de um primeiro-ministro eleito.

O presidente Bush, dos Estados Unidos, telefonou para Zapatero, de 43 anos, cumprimentando-o pela vitória. "Os dois líderes disseram que esperam trabalhar juntos, particularmente no nosso compromisso compartilhado de combater o terrorismo'', disse um porta-voz da Casa Branca, acrescentando que Bush não perguntou sobre a eventual retirada das tropas espanholas do Iraque.

Zapatero, que deve assumir o governo em abril, repetiu várias vezes na segunda-feira sua promessa de campanha de retirar as tropas do Iraque caso a ONU não assuma o comando até junho - algo que ele mesmo considera improvável.

A Espanha tem 1.300 soldados no centro-sul do Iraque. Críticos do governo dizem que os atentados de Madri foram o preço pago pela Espanha por seu apoio à ocupação. "Fomos muito claros sobre o risco e a ameaça que estamos todos enfrentando com esta guerra ilegal no Iraque, e infelizmente a Espanha pagou o preço'', disse o provável futuro chanceler, Miguel Angel Moratinos. "Quanto antes admitirmos um erro político, melhor para o futuro da comunidade internacional.''

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