Com a constatação de mais dois casos de marinheiros que sentiram mal estar, subiu para dez o número de tripulantes do navio de bandeira caribenha infectados por malária. A embarcação está atracada no Porto de Recife desde sexta-feira e os três estrangeiros – um egípcio e dois sírios – internados há quatro dias no Hospital Oswaldo Cruz não correm risco de morte.
O navio – que veio do Egito, passou pela cidade de Malabo, na Guiné (África), e deveria ter saído de Pernambuco com uma carga de açúcar para a Síria – ficou retido por causa da identificação de um surto de malária entre a tripulação. A doença atinge inclusive o comandante do navio, que tem 22 tripulantes.
Com febre, dor de cabeça, fadiga muscular e outros sintomas, os que não foram internados em unidades de saúde são acompanhados, no navio, por dois especialistas e recebem medicação oral. Segundo o supervisor de malária da Secretaria de Saúde do estado, José Renato da Silva, não está descartada a possibilidade de surgirem novos casos entre os tripulantes.
Ele explicou que o parasita encontrado é o falciparum, que pode comprometer o baço e os rins, causando hemorragias, mas informou que de acordo com a última avaliação, o grau da infecção já foi reduzido em 40%. O supervisor disse ainda que embora a malária tenha sido erradicada de Pernambuco há 15 anos, desde o início deste ano foram contabilizados 35 casos da doença no estado, todos em pessoas que vieram de fora do país.
– Cerca de 30 mil pernambucanos trabalham em três ou quatro construtoras na região da África onde a doença ainda é prevalente e, uma vez por ano, visitam parentes ou precisam vir ao estado para renovação de visto de permanência – lembrou.
A coordenadora estadual da Vigilância Sanitária, Vera Barone, informou que a empresa marítima responsável pelo navio foi autuada e que o comandante descumpriu legislação internacional.
– Ele tentou esconder os sintomas de malária na tripulação, declarando em questionário que não havia casos de doença – disse.
E acrescentou que até quinta-feira será feito novo controle laboratorial dos que ficaram no navio.