De acordo com o Instituto de Segurança Pública, em janeiro do ano passado, um policial militar foi morto em serviço e seis foram mortos em folga
Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro:
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) divulgou nesta terça-feira que 18 policiais foram mortos no inicio deste ano, dos quais quatro estavam em serviço, 12 de folga e dois eram PMs aposentados. De acordo com o Instituto de Segurança Pública, em janeiro do ano passado, um policial militar foi morto em serviço e seis foram mortos em folga.
Dos 44 policiais militares feridos este ano, 30 estavam em serviço, 13 de folga e um é policial aposentado.
Em 2016, segundo a PMERJ, 26 policiais foram mortos em serviço e 51 de folga e 250 foram feridos em serviço e 107 de folga.
Manifestação
No dia 15 deste mês, a praia de Copacabana foi palco de uma manifestação contra a morte de policiais militares no Rio de Janeiro. O protesto foi organizado pela entidade SOS Polícia e reuniu cerca de 50 manifestantes. Incluindo filhos de militares, e levou para a areia cruzes, bonecos caídos na praia vestidos com fardas de PMs manchadas de vermelho, simulando sangue e cartazes e faixas com as frases Também somos vítimas, Rio de Janeiro em Luto, e outras, pedindo mudanças na legislação penal.
O 2º sargento Cristiano da Anunciação Macedo foi baleado em São João de Meriti, Baixada Fluminense. De acordo com a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). Macedo tinha 40 anos, estava há 18 anos na corporação e deixou esposa.
A PMERJ disse em nota que testemunhas contaram que o sargento foi atingido ao tentar separar uma briga. No mesmo momento, um homem e uma mulher também foram baleados. O homem morreu no local e a mulher foi internada no PAM.
Investigação
A Polícia Civil informou que foi instaurado um procedimento para apurar as mortes do policial militar e de Wallace dos Santos Pires.
Para o 1º tenente da PM Nilton da Silva Pereira, que está em reserva remunerada e participou da manifestação na Praia de Copacabana. As mortes sucessivas de PMs têm ocorrido por causa da certeza de impunidade dos criminosos.
– O marginal, hoje, que comete um delito parece ter a certeza de que vai se manter em liberdade. O sistema prisional já não intimida. Porque se intimidasse, ele não cometeria estes crimes contra nós policiais ou contra qualquer cidadão comum – disse.
Ele defendeu mudanças na legislação, com punição mais rígida. E se mostrou contrário ao regime de progressão da pena. “Infelizmente, tem um entendimento que a regra hoje é a liberdade. A prisão é a exceção, porque o sistema prisional não está funcionando adequadamente”, apontou.
Policiais em perigo
O tentente Pereira destacou que o sistema de proteção do policial em serviço tem falhas e que os equipamentos também são precários, com falta de manutenção nos armamentos e nos veículos da polícia, inclusive com falta de combustível.
Ele disse que atualmente, quando o policial está de folga, evita passar por locais de conflito. “Hoje não tem mais condição do policial andar sozinho. A gente, na vida civil, evita áreas de confronto, áreas perturbadas”, afirmou.
– Esta falta de estrutura compromete não só o serviço, mas também a vida psicológica do policial. Porque se ele não tiver ali com todos os recursos possíveis do Estado para defender a sociedade, ele mesmo não está protegido. Como é que vai proteger a sociedade?
Apoio
Outra reclamação do tenente é com relação à falta de apoio às famílias de policiais aposentados. Ele disse que, mesmo inativo, quando se depara com uma situação de assalto. Por exemplo, o policial inativo instintivamente reage. Mas se, por acaso, vier a morrer neste caso, a família não recebe assistência e não tem “direito a qualquer seguro, qualquer indenização”
Ele conta que o policial aposentado, mesmo na inatividade, tem porte de arma e vai defender o cidadão, porque o instinto vai lhe levar a fazer isso. “Mas se (o policial aposentado) vier a sofrer sequelas, ele é abandonado pelo Estado. Tem companheiros em cadeiras de rodas”, completou.