Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Sobe número de bombardeios em Aleppo

O número de bombardeios vem aumentando em Aleppo e nas cidades vizinhas. Há poucos dias, uma série de 26 ataques aéreos

Terça, 02 de Agosto de 2016 às 10:08, por: CdB

 

Com hospitais como alvo de ataques e via de acesso bloqueada, feridos e enfermos ficam sem opção. Médicos previram que a cidade, dividida entre regime e oposição, ficaria sitiada, mas suprimentos armazenados não bastam

Por Redação, com DW - de Berlim:   O número de bombardeios vem aumentando em Aleppo e nas cidades vizinhas. Há poucos dias, uma série de 26 ataques aéreos do regime sírio e da Rússia atingiram Al-Atareb, nos arredores de Aleppo e controla pela oposição, matando 42 civis em apenas 24 horas.
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Ataque aéreo do regime sírio atingiu hospital Beyan, em Aleppo, em junho deste ano
Depois de o único hospital da cidade ser bombardeado quatro vezes em apenas uma hora e meia, o centro cirúrgico não tinha mais condições de operar, algo preocupante sobretudo para os que necessitavam de cirurgias imediatas. Apesar de muitos terem sido encaminhados para a Turquia, somente os gravemente feridos têm permissão de cruzar a fronteira, e a viagem geralmente impõe uma série de perigos adicionais. – Dependendo de onde um paciente está, transportá-lo para a Turquia pode exigir passar pelas Forças Democráticas Sírias, pelo 'Estado Islâmico' ou por áreas controladas pelo regime – afirma o médico Hassan, que coordena as remoções médicas com a Associação Internacional de Médicos. "Muitas vezes o risco não compensa." A poucos quilômetros da devastada Al-Atareb, os feridos em Aleppo têm ainda menos opções. Desde o mês passado, quando o Exército sírio fechou a estrada Castello, a única via de ligação entre o lado oriental da cidade, controlado pela oposição, e o ocidental, controlado pelo regime, um cerco total foi imposto a Aleppo. – Tudo mudou com o cerco – conta Khaled, de 25 anos e que trabalha com a Defesa Civil Síria, um grupo de socorristas. "Estamos ficando sem comida. O preço de um quilo de arroz passou de 100 para 500 libras sírias (cerca de 1,50 para 7,50 reais). A maioria das lojas fechou suas portas." Para os trabalhadores do setor da Saúde em Aleppo, que ficaram conhecidos por seguir atuando mesmo sob as circunstâncias mais terríveis, o cerco trouxe ainda mais desafios. Mesmo a estrada Castello sendo notoriamente perigosa, com ataques aéreos tendo como alvo tudo o que se move, ainda se tratava de uma via essencial de ligação com a cidade, sobretudo para a comunidade médica. Agora, os 33 médicos ali remanescentes dependem de reservas emergenciais de suprimentos médicos para tratar os cada vez mais frequentes ferimentos de guerra e casos de subnutrição, enquanto hospitais são bombardeados e impedidos de funcionar. – Os hospitais estão superlotados – diz Mohamed Katoub, diretor de estratégia da Associação Médica Sírio-Americana (SAMS). No leste de Aleppo, o número de pacientes por médico é de 9.090 para um, enquanto a média global é de 300 para um. "Eles têm que tratar muito mais gente do que estão acostumados", afirma Katoub.

Falta de suprimentos

De acordo com Katoub, trabalhadores médicos já previam o cerco e vinham estocando suprimentos nos últimos seis meses. No entanto, ataques como o que teve como alvo um banco de sangue, na última sexta-feira, mostraram aos médicos que mesmo tendo se preparado com antecedência, seus suprimentos não estão seguros nas circunstâncias atuais. A impossibilidade de se mover livremente para ser atendido por um especialista fora da cidade ou ser encaminhado para a Turquia, se necessário, também está tornando ainda mais difícil prover assistência aos pacientes, num ambiente já bastante hostil. – Há muitos serviços médicos de que não dispomos na cidade – diz Katoub. Enquanto isso não era um problema antes do cerco, a impossibilidade de sair da cidade reduziu o acesso ao tratamento especializado. "Só temos um neurocirurgião aqui. É impossível ele dar conta da quantidade de casos que temos recebido." Katoub e outros médicos pressionam pelo acesso à estrada Castello para possibilitar o transporte médico emergencial, mas ainda não obtiveram resposta da ONU ou do governo. O regime sírio informou a população de que é possível receber tratamento em hospitais na porção da cidade controlada pelo regime, mas muitos pacientes que optaram por isso foram detidos ou interrogados ao ingressar nessas áreas. Agora, a maioria se recusa a aceitar essa como uma solução viável. – O regime tem serviços médicos como alvo porque as pessoas não podem viver sem acesso a eles – afirma Katoub. Estima-se que 60% dos hospitais do país tenham sido completamente ou parcialmente destruídos. – Não se pode viver num lugar em que não se tem acesso a vacinas para os filhos ou tratamento em caso de doença ou ferimento. Esse é o principal motivo por que as pessoas abandonam suas cidades – conclui.  
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