Israel ordenou nesta quinta-feira a suspensão das demolições de casas dos familiares de militantes palestinos, uma tática criticada internacionalmente e vista como uma punição coletiva, mas que o Estado judeu sempre disse que ajudava a conter ataques.
Um comunicado militar de Israel afirmou que a decisão se seguiu a uma reavaliação da eficácia das políticas usadas contra o levante palestino, iniciado em setembro de 2000 nos territórios ocupados.
"A Força de Defesa de Israel exerceu no passado sua autoridade legal para demolir casas de terroristas", afirmou o comunicado. "A necessidade dessa tática como parte da luta contra o terror é constantemente reavaliada."
Uma autoridade palestina afirmou que a iniciativa é parte da trégua declarada pelo novo presidente palestino, Mahmoud Abbas, e pelo premiê israelense, Ariel Sharon, em 8 de fevereiro no Egito.
"Isso é o resultado dos entendimentos de Sharm el-Sheikh e o início das negociações palestino-israelenses", disse o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rdainah.
O grupo israelense de defesa dos direitos humanos BTselem disse que o Exército destruiu com retroescavadeiras ou com dinamites 675 residências palestinas desde o início da onda de violência, deixando 4.239 pessoas desabrigadas.
De acordo com o jornal Haaretz, o Ministério da Defesa decidiu interromper as demolições depois de ter concluído que quaisquer benefícios eram solapados pelo ódio que as operações provocavam entre os palestinos -- numa potencial perpetuação da violência.
A demolição de casas -- uma prática adotada largamente na região pelos antigos mandatários britânicos -- foi usada por Israel na sua criação em 1948. Um ano antes havia sido publicada a 4a. Convenção de Genebra, que bania punições coletivas.
Quando Israel e palestinos assinaram um acordo de paz provisório em 1993, as destruições foram suspensas. Mas voltaram em 2002, depois de uma onda de ataques suicidas.
Comandantes israelenses diziam que, por medo de perderem seus lares, famílias palestinas costumavam entregar filhos que eram suspeitos de planejarem ataques.
Em uma entrevista à Reuters em 2003, fase em que as demolições atingiram seu pico, um dos principais ativistas palestino de direitos humanos, Bassam Eid, admitiu que, no curto prazo, a tática era intimidadora, mas que a longo prazo inflava os ressentimento.
"Conheço famílias que ao terem suas casas destruídas, as reconstroem e proíbem que atiradores de pedras ou homens armados operem nos arredores", disse. "Mas isso é mais uma forma de sobrevivência do que uma opção moral. A família ainda se ressente com a forma que Israel lida com isso."