Cedendo à pressão da Casa Branca, Israel decidiu esperar as eleições presidenciais norte-americanas, em novembro, para desativar assentamentos judaicos na Faixa de Gaza, disseram fontes israelenses de segurança na sexta-feira. Fontes políticas afirmaram também que o primeiro-ministro Ariel Sharon, em mais uma concessão a seus aliados norte-americanos, desistiu de transferir colonos de Gaza para a Cisjordânia, uma idéia que enfureceu os palestinos, que pretendem criar um país nos territórios ocupados por Israel em 1967.
As fontes de segurança disseram que Sharon reconheceu as preocupações do governo Bush, que teme que a implementação do plano unilateral de retirada durante a campanha eleitoral dos EUA cause problemas políticos, alimentando a instabilidade nas áreas palestinas.
Abatido por múltiplos escândalos, Sharon sofreu um novo golpe com uma pesquisa de opinião que, pela primeira vez, mostra que a maioria da população é favorável a sua renúncia. Um confidente de Sharon atribuiu seus problemas a políticos de extrema direita que se opõem à retirada da Faixa de Gaza.
Enquanto isso, a polícia prendeu um segundo suspeito numa investigação sobre atentados cometidos nos últimos três anos contra árabes. Segundo as autoridades, os militantes judeus planejavam matar importantes parlamentares árabe-israelenses.
As forças de segurança de Israel estão em alerta elevado contra atentados palestinos durante o feriado judaico do Purim. O Exército isolou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza por todo o fim-de-semana - uma medida adotada na maioria dos feriados judaicos. O jornal israelense Maariv disse que os EUA deixaram claro durante reuniões recentes que querem que Sharon suspenda seu plano de abandonar os assentamentos de Gaza até as eleições norte-americanas.
O primeiro-ministro direitista vem sendo vago a respeito de um cronograma para a iniciativa, que também prevê a remoção de vários encraves na Cisjordânia e a definição de uma "linha de segurança", que segundo os palestinos representará a demarcação de uma futura fronteira, com menos territórios do que eles ambicionam. Sharon promete implementar essa idéia apenas se o plano de paz norte-americano para a região fracassar.
Uma fonte política israelense disse que uma comissão criada para lidar unicamente com a remoção dos 7,5 mil colonos de Gaza foi orientada para estudar opções apenas dentro de Israel, não na Cisjordânia. "Os norte-americanos fizeram pressão para que não fizéssemos isso [a transferência para a Cisjordânia] porque eles acreditam que isso prejudicaria o plano de paz", disse a fonte. "O primeiro-ministro não quer entrar em choque com Washington por causa dessa questão".
Os palestinos temem que Sharon esteja planejando entregar Gaza em troca do controle permanente sobre algumas áreas da Cisjordânia, que tem assentamentos maiores. As autoridades norte-americanas vêem a desativação de qualquer assentamento como um passo potencialmente positivo, por eliminar pontos de fricção entre palestinos e israelenses. Mas Washington quer garantias de que tais medidas não significam que seu plano de paz está sendo abandonado.
A imprensa israelense disse anteriormente que Sharon pediu garantias a Washington de que os EUA não vão se opor à expansão de assentamentos na Cisjordânia, que podem ser anexados em um acordo final com os palestinos. Representantes norte-americanos devem visitar Israel na próxima semana para reuniões preparatórias para uma cúpula entre o presidente George W. Bush e Sharon em Washington, no final de março ou começo de abril.
Sharon, enquanto isso, tenta contornar a tempestade provocada por acusações de corrupção e irregularidades, que ele nega. Promotores devem decidir nas próximas semanas se ele será ou não indiciado.
Pesquisa do jornal Yedioth Ahronoth concluiu que 53% dos entrevistados acham que Sharon deveria renunciar, e 43% preferem que ele fique. Trata-se de um grande revés para o general de 76 anos, eleito por ampla maioria em 2001 e