O presidente sírio, Bashar al-Assad, viajou à Arábia Saudita na quinta-feira para conversar com as autoridades sauditas sobre o futuro da presença síria no Líbano. Ao mesmo tempo, Rússia e Alemanha se juntaram ao coro internacional que exige a retirada da Síria do território libanês.
A pressão sobre Damasco vem aumentando desde o assassinato do ex-premiê libanês Rafik al-Hariri, em Beirute, no mês passado.
Diplomatas disseram que Assad e seu ministro das Relações Exteriores, Farouq al-Shara, se reuniram com o príncipe da coroa saudita, Abdullah, em Riad, na presença do ministro das Relações Exteriores saudita, Saud al-Faisal.
A Arábia Saudita e o Egito querem que Assad tire seus 14 mil soldados do Líbano, obedecendo ao que determinam a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU e o Acordo de Taif, que encerrou a guerra civil libanesa, entre 1975 e 1990.
O príncipe Saud se reunira antes com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, para discutir a questão, segundo a agência de notícias estatal Mena, do Egito.
A presença militar síria no Líbano data de 1976. Assad afirmou, segundo a revista Time, que é tecnicamente possível retirar as tropas em alguns meses, mas os EUA e Israel manifestaram ceticismo quanto a essa possibilidade.
A pressão sobre Damasco aumentou com a adesão da Rússia, um de seus aliados mais próximos, à exigência pela retirada síria do Líbano.
- A Síria deve sair do Líbano, mas temos que garantir que essa retirada não viole o ainda frágil equilíbrio do Líbano, que é um país muito difícil em termos étnicos - disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, à BBC, na noite de quarta-feira.
A Rússia se absteve da votação da resolução 1559 no Conselho de Segurança da ONU, em setembro. Mas Lavrov disse que a decisão, assim como qualquer outra medida do conselho, tem de ser implementada.
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, em visita ao Iêmen, também exigiu que a Síria retire suas tropas do Líbano imediatamente, afirmando que as resoluções da ONU têm de ser colocadas em práticas para dar aos libaneses:
- Uma chance de soberania e desenvolvimento.
- A Síria está sob intensa pressão de todos os lados. Assad espera obter apoio de sua aliada Arábia Saudita neste momento difícil - disse o analista saudita Mohammad al-Harfy.
A Arábia Saudita, sede da conferência de Taif, em 1989, ficou profundamente chocada com o assassinato de Hariri num ataque a bomba que matou 19 pessoas no total. Ele era um magnata sunita que fez fortuna no reino, tinha nacionalidade saudita e relações próximas com a família real.
O porta-voz presidencial egípcio Suleiman Awad disse que o Egito estava buscando uma maneira de casar a resolução da ONU com o Acordo de Taif. Segundo o acordo, a Síria se comprometia a levar suas tropas para o leste do Líbano em dois anos, e em entrar num consenso com o Líbano sobre a permanência das forças dali em diante.
Diplomatas árabes disseram que mediadores estavam tentando convencer a Síria a estabelecer um cronograma de retirada, mas um deles afirmou que não estava claro se o Líbano poderia requisitar a retirada formalmente, já que está com uma administração interina. O premiê libanês, apoiado pela Síria, renunciou na segunda-feira diante da pressão popular.
Sob pressão, presidente sírio discute crise com sauditas
Quinta, 03 de Março de 2005 às 14:40, por: CdB