Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Sob pressão, "estilo diplomático" de Obama volta à Europa

Segunda, 01 de Junho de 2009 às 08:12, por: CdB

O presidente dos EUA, Barack Obama, faz nesta semana sua segunda incursão pela diplomacia europeia, enfrentando pressão para demonstrar que sua política externa que prioriza o consenso é capaz de obter os resultados que o estilo unilateral de seu antecessor George W. Bush não conseguiu.

Obama fará um discurso para o mundo islâmico na quinta-feira no Cairo e em seguida faz visitas a Alemanha e França, marcadas pelo tema da Segunda Guerra Mundial - ele irá ao campo de concentração de Buchenwald e às praias da Normandia, onde celebrará os 65 anos do desembarque dos aliados, no chamado Dia D.

Um tio-avô de Obama ajudou a libertar um dos subcampos de Buchenwald, e o avô que ajudou a criá-lo entrou na França pela Normandia, depois do Dia D, como parte do Exército do general George Patton.

Obama terá reuniões em separado com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e com a chanceler alemã, Angela Merkel. Devem discutir a crise global, o programa nuclear do Irã, o conflito afegão e as relações do Ocidente com a Rússia.

Analistas dizem que, apesar do caráter eminentemente simbólico das visitas à França e à Alemanha, Obama deve começar a demonstrar que sua política externa de tom deliberativo é capaz de produzir uma abordagem mais unificada para problemas comuns.

Em sua primeira viagem oficial à Europa, em abril, Obama tinha dois grandes objetivos: convencer os governos locais a darem mais estímulos para a recuperação econômica, e obter apoio adicional dos aliados para o conflito no Afeganistão.

Obama foi eleito com a promessa de buscar um maior envolvimento diplomático com o mundo do que Bush. Até agora, os resultados foram ambíguos.

– Acho que a viagem de abril foi muito bem no sentido de que o governo Obama tomou uma decisão deliberada de reduzir as expectativas e construir uma forte relação com a Europa, mesmo que isso significasse não conseguir tudo o que ele queria a respeito de estímulos (econômicos) e tropas para o Afeganistão – disse Charles Kupchan, especialista em Europa do Conselho de Relações Exteriores, uma entidade liberal.

Nesse sentido, a viagem de abril foi um investimento no futuro. Acho que agora Obama precisa começar a demonstrar que sua nova marca de liderança e sua ênfase na construção de consensos geram dividendos."

Já Sally McNamara, analista de Europa da entidade conservadora Heritage Foundation, mostrou mais ceticismo.

– Acho necessário olhar isso por dois prismas. Ele foi popular? Foi saudado pelos povos da Europa? Absolutamente. O cara foi um rock star. Em termos políticos, foi um desastre absoluto. Ele não conseguiu nada do que queria – acrescentou.

– Se ele genuinamente queria um estímulo econômico extra, se genuinamente queria tropas no Afeganistão, fracassou completa e enormemente – concluiu.

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