Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Sob pressão, custo do minério de ferro atinge US$ 100 na China

Terça, 28 de Julho de 2009 às 08:45, por: CdB

Os preços de minério de ferro no mercado à vista na China, maior consumidor da commodity do mundo, se aproximam dos US$ 100 por tonelada, diante do aperto na oferta da Austrália e da Índia, informaram duas fontes nesta terça-feira. Alguns operadores estão pedindo US$ 100 por tonelada para o minério indiano com concentração de 63% a 63,5% de ferro, afirmaram as fontes, acrescentando que nenhum acordo foi fechado nesse preço até agora, mas que quase todas as compras de terça-feira alcançaram os US$ 98 a tonelada.

Um operador na província chinesa de Zhejiang (leste) disse que a oferta do minério está apertada e as entregas de minério australiano estão caindo por causa das negociações travadas de preço de referência para o minério de ferro, enquanto o transporte de minério indiano tem sido retardado pela estação das chuvas. As negociações anuais de preços do minério de ferro entre siderúrgicas chinesas e mineradoras, que incluem BHP Billiton, Rio Tinto e Vale, desandaram em um conflito internacional, com a China alegando que funcionários da Rio Tinto estão envolvidos em espionagem e suborno de autoridades chinesas.

A Associação de Ferro e Aço da China, que encabeça as negociações com as mineradoras, tem insistido que o país merece um preço melhor que outros porque é o maior comprador mundial da commodity. Na véspera, a agência inglesa de notícias Reuters divulgou uma pesquisa que mostrou que a demanda da China pelo minério de ferro estrangeiro pode recuar cerca de 20% no segundo semestre, após compras recordes na primeira metade do ano, já que os altos preços à vista encorajam a reabertura de minas inativas no país.

O maior fabricante mundial de aço vai importar 236 milhões de toneladas no segundo semestre, mostrou a média da pesquisa com oito analistas, contra 297 milhões de toneladas nos seis primeiros meses, com os estoques duas vezes mais altos do que o normal também pesando sobre as compras. De acordo com projeções de analistas ouvidos na pesquisa, os preços do minério de ferro no mercado à vista subirão para uma mediana de US$ 90 a tonelada entregue na China até o final deste ano, contra US$ 70 no final do primeiro semestre.

Alto-forno

Diante da possibilidade de retomada imediata aos níveis de produção industrial pré-crise, a Gerdau – uma das maiores siderúrgicas do país – anunciou a intenção de manter integralmente a atividade em um de seus altos-fornos, uma vez constatada a melhora no mercado interno de aço. O alto-forno da unidade Açominas, em Ouro Branco (MG), entraria em manutenção na semana passada.

A Gerdau Açominas tem capacidade de produção de 4,5 milhões de toneladas de aço por ano. O alto-forno principal tem capacidade de 3 milhões de toneladas e ficou parado por seis meses. Voltou a funcionar no início deste mês, com retomada gradual da produção. O forno cuja parada foi suspensa produz 1,5 milhão de toneladas. A unidade mineira é, em nível mundial, a maior da siderúrgica, que está presente em 14 países, com capacidade instalada total de 20 milhões de toneladas de aço por ano.

Semana passada, a Usiminas também anunciou que, até o fim de agosto, retomará a produção em dois de seus altos-fornos. Com isso, a siderúrgica passará a usar 85% de sua capacidade. Quando havia decidido parar os fornos, entre dezembro e março, o uso da capacidade foi reduzido para 65%. Após a forte retração no fim do ano passado, a produção brasileira de aço cresce mês a mês desde o início do ano, ainda que em ritmo irregular. Entre maio e junho, a produção de aço bruto cresceu 2,5%, e a de laminados, 3,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia.

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