Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Sob investigação, HSBC avalia se encerra atividades no Brasil

Sexta, 06 de Março de 2015 às 09:16, por: CdB
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Presidente do HSBC, Stuart Gulliver anunciou a reestruturação mundial do banco, após o escândalo na filial suíça
O envolvimento do HSBC no maior escândalo financeiro dos últimos tempos coloca a instituição financeira em maus lençóis aqui no país. Alto funcionário do banco britânico disse ao Correio do Brasil, sob condição de anonimato, que "estão apurando tudo e muitos (diretores) vão responder até com seus bens pessoais". – Antes do dinheiro chegar à filial suíça, precisou passar por algumas agências, no Brasil. Tanto a Polícia Federal (PF) quanto uma investigação interna do banco procuram por responsáveis por determinadas transações financeiros, responsáveis por evasão de divisas e, agora, por sérios prejuízos à instituição. É possível, até, que o HSBC encerre suas atividades em território brasileiro – afirmou. O banco britânico alega que a queda no Produto Interno Bruto (PIB) prejudicou seus negócios no país e reportou aos acionistas, nesta sexta-feira, prejuízo antes de impostos (Ebitda) de US$ 247 milhões (R$ 711,1 milhões) em 2014. O fechamento negativo do balanço vai na contramão de um histórico favorável de dois anos seguidos de lucros, e coloca o Brasil no incômodo posto de líder em perdas do banco na América Latina. A perspectiva é negativa também para os próximos anos, quando os economistas preveem baixo crescimento econômico. Não por outro motivo, o presidente mundial do HSBC, Stuart Gulliver, deu um ultimato aos funcionários no Brasil: se, em um ou dois anos os resultados positivos não voltarem, o banco poderá ser vendido. O alerta também chegou às filiais do México, Turquia e EUA. – Absolutamente, precisamos virar o jogo, ou precisaríamos pensar em soluções mais extremas para o problema. Há partes do grupo que não estão oferecendo retorno (adequado), e estamos trabalhando para reestruturá-las – disse o executivo, em Londres, mencionando que o prazo para que os negócios “provem seu valor” será de 12 a 24 meses. Uma solução poderia ser a venda dessas unidades, indicou: – Não há opções, em termos de reestruturação, que não estejamos considerando. Globo suspeita A sede do HSBC em Genebra tornou-se alvo de investigações e uma lista de contas bancárias vazada por um consórcio de jornalistas investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) mostra que mais de 100 mil clientes em todo mundo usavam as contas e os serviços do HSBC para guardar quantias volumosas de dinheiro sem pagar impostos. O período denunciado vai de 1988 até 2007. O volume financeiro movimentado ultrapassa U$ 100 bilhões. Entre os clientes, a lista de brasileiros é enorme e inclui artistas globais como atriz Gisele Fraga e nomes de destaque no mercado financeiro. Segundo o ex-funcionário do banco Herve Falciani, que vazou as informações à imprensa, há pelos menos 6,6 mil contas brasileiras, que movimentam U$ 7 bilhões. A lista com o novo conjunto de endereços foi divulgada por um jornalista de Hong Kong, na China. As investigações sobre operações do HSBC começaram em 2008 depois de Herve ter entregue à polícia francesa os dados das contas bancárias suspeitas. Foi criado, então, o projeto SwissLeaks, que reuniu mais de 140 jornalistas em 45 países que desde então passaram a buscar informações sobre os envolvidos no caso. Embora não tenha vazado, ainda, pesa sobre as Organizações Globo, por parte de jornalistas independentes, no Brasil, a suspeita de que a empresa que lidera o cartel midiático no país faça parte da lista de sonegadores. O coordenador do projeto que se seguiu ao vazamento (SwissLeaks), Serge Michel, diz: – O que descobrimos nos documentos do SwissLeaks é que o banco, para proteger ainda mais seus clientes, visto que a Suíça já não oferecia as vantagens do passado, propôs a eles novas modalidades offshore. Michel cita as Ilhas Virgens Britânicas como um dos locais preferidos dos sonegadores. As empresas da família Marinho aportaram por lá em 1999, com a criação da Empire Investment Group Ltd., empresa que existe apenas no papel e tinha como endereço uma caixa de correio, como comprovou o jornalista Joaquim de Carvalho, quando esteve no país. "No caso da empresa da Globo, a caixa número 3340 era dividida com a Ernst & Young, a consultoria de negócios que deu suporte para a Globo abrir e manter a companhia de papel", afirmou, em artigo publicado no site Diário do Centro do Mundo. "Em 2013, o mesmo ICIJ trouxe a público um relatório com detalhes de 130 mil contas em paraísos fiscais. O escândalo ficou conhecido como Offshore Leaks. A base de dados disponível no site oficial contém informações sobre dez localidades, incluindo as Ilhas Virgens Britânicas, as Ilhas Cook e Singapura", acrescentou. Receita Federal Nos dados relacionados ao Brasil, aparece um correntista com apenas o registro do endereço, sem nome de pessoa jurídica ou física, na avenida Atlântica, 2266, apartamento 302: "Cúmulo da coincidência: o prédio é vizinho ao edifício onde Roberto Marinho tinha um tríplex em 2004, vendido ao bicheiro Anísio Abrahão David, patrono da escola de samba Beija Flor. Vizinho também do prédio onde mora a funcionária da Receita Federal que fez desaparecer o processo em que os três filhos de Roberto Marinho eram responsabilizados penalmente pela sonegação de mais de R$ 615 milhões, em valores de dezembro de 2006", escreve Carvalho. "O inacreditável é que, aparentemente, é coincidência mesmo. Liguei para o apartamento 302 da avenida Atlântica 2266, e atendeu um homem com sotaque estrangeiro que se apresentou como Joseph. Ele diz que ali funciona a Norwell do Brasil Ltda, uma empresa com negócios na Índia e no Quênia, segundo uma página na internet. Joseph, que não quis dizer o sobrenome, ficou com o número do meu celular, e disse que o administrador entraria em contato. Ainda não recebi o telefonema", constata. A Receita Federal também não respondeu a um pedido de entrevista de Joaquim Carvalho para explicar a situação da Globo em relação ao Fisco. A explicação da assessoria de imprensa é que a Receita não comenta casos de contribuintes, para proteger o sigilo fiscal. "Nem para dizer que providências a Receita tomou no caso da acusação de sonegação?" – questionou o repórter. – Nem para isso, respondeu a assessora Denise Naves. A íntegra do processo de sonegação da Globo se tornou conhecida quando o site O Cafezinho, de Miguel do Rosário, obteve uma cópia e a colocou na internet. Mas não se sabe, ainda, se a Receita Federal remontou o processo, como é correto no caso de autos desaparecidos, e deu sequência ao trâmite determinado pelo auditor fiscal Alberto Zile, que recomendava a denúncia por crime contra a ordem tributária cometido pelos irmãos Marinho.
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