Um ritual religioso xiita aconteceu nesta segunda-feira na cidade sagrada de Kerbala sob forte esquema de segurança, em meio a temores de guerra civil no Iraque, no terceiro aniversário da invasão liderada pelos Estados Unidos. Quase 10 mil soldados e policiais estão vigiando centenas de milhares de peregrinos xiitas, que se reúnem para um evento religioso que já foi atacado por homens-bomba sunitas no passado.
O temor de mais violência e o fracasso dos líderes xiitas, curdos e sunitas em formar um governo de união nacional ressaltam a instabilidade no Iraque três anos depois da queda de Saddam Hussein. Os políticos ainda lutam para chegar a um acordo, mais de três meses depois da eleição. Ataques de insurgentes mataram 171 pessoas em Kerbala e em Bagdá durante o mesmo ritual xiita em 2 de março de 2004.
- Esperamos tudo durante esta ocasião, talvez bombas. Mas fizemos planos e intensificamos os esforços para desarmar qualquer situação - disse o chefe da polícia de Kerbala, Razzak al-Ta'ee.
Autoridades locais disseram esperar até dois milhões de pessoas nas cerimônias, que chegam a seu auge na noite de segunda-feira em Kerbala, 110 km a sudoeste de Bagdá. Um mar de peregrinos realizando atos de autoflagelação e carregando bandeiras verdes e pretas lotou a cidade. O objetivo do ritual é lembrar a morte, em uma batalha do século 7, que marcou a divisão do islã entres sunitas e xiitas.
Guerra suja
Em Bagdá, surgiram mais evidências de uma guerra suja. Seis corpos atingidos por balas deram entrada em um necrotério da capital, aparentemente vítimas da violência sectária, que se intensificou desde o ataque a um templo xiita em Samarra, no mês passado. Um guarda disse que sete corpos de pessoas que foram torturadas e estranguladas foram jogados em valas de esgoto no domingo. Uma explosão matou quatro membros das forças de segurança e feriu outros três perto de um hotel de Bagdá nesta segunda-feira, disse a polícia.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que está "animado com o progresso" no Iraque, mas ignorou uma pergunta sobre comentários do ex-primeiro-ministro iraquiano Iyad Allawi, que declarou à BBC que o Iraque já está envolvido em uma guerra civil.
- Estamos implementando uma estratégia que levará à vitória no Iraque - afirmou Bush a repórteres no domingo, exortando os líderes iraquianos a formarem um governo de união.
O Irã, que é xiita e tem fortes laços com grupos xiitas que lideram o governo interino em Bagdá, concordou com as propostas de negociações com os EUA sobre a estabilização do Iraque. Fontes políticas iraquianas disseram esperar que o embaixador dos EUA, Zalmay Khalilzad, encontre-se nesta semana com representantes do Irã. Mas uma maior influência iraniana no Iraque pode incentivar o ressentimento entre árabes sunitas, que já vêem Teerã com suspeita.