Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Sob críticas, papa visita locais sagrados de Jerusalém

Terça, 12 de Maio de 2009 às 07:59, por: CdB

O presidente do Parlamento de Israel acusou nesta terça-feira o papa Bento XVI, que é alemão, de se mostrar alheio ao sofrimento dos judeus no Holocausto nazista. Numa visita já marcada por críticas, o pontífice rezou no Muro das Lamentações e visitou a mesquita do Domo da Rocha, locais sagrados de Jerusalém. Na descrição de um colunista israelense, ele se mostrou "contido, quase frio".

Citando o fato do pontífice ter pertencido quando adolescente à Juventude Hitlerista e de ter servido ao Exército alemão, o presidente do Knesset, Reuven Rivlin, repreendeu o papa por seu pronunciamento de segunda-feira no Yad Vashem, memorial que homenageia os 6 milhões de judeus mortos pelos nazistas.

– Ele veio até nós e nos disse como se fosse um historiador, alguém olhando de fora, sobre coisas que não deveriam ter acontecido. E o que se poderia fazer? Ele era parte (dessas coisas) – disse Rivlin à Rádio Israel.

Na cerimônia no memorial, o papa falou da "horrível tragédia da 'shoah' (Holocausto, em hebraico)", mas frustrou alguns líderes religiosos judaicos que esperavam um pedido de desculpas - como alemão e como cristão - pelo genocídio.

Numa aparente defesa do papa, o rabino-chefe de Israel, Yona Metzger, disse ter certeza de que Bento XVI subscreveria a oração deixada no Muro das Lamentações há nove anos por seu antecessor, João Paulo 2°, em que ele pedia perdão pelo sofrimento provocado aos judeus durante séculos.

Na oração deixada num nicho entre as pedras, o atual papa citou em termos gerais "o sofrimento e a dor de todos os povos pelo mundo" e pediu a paz no Oriente Médio. Rivlin disse que "com o devido respeito à Santa Sé, não podemos ignorar o ônus que ele carrega, como um jovem alemão que aderiu à Juventude Hitlerista e como uma pessoa que aderiu ao Exército de Hitler, que foi um instrumento de extermínio."

Seguidores do papa alegam que a adesão à Juventude Hitlerista era compulsória e que ele foi recrutado para o Exército, do qual desertou no final do conflito.

No Domo da Rocha, o papa encontrou o grão-múfti, principal clérigo islâmico palestino, e lembrou as raízes comuns do Judaísmo, do Cristianismo e do Islã.

O Domo fica no local onde as três religiões monoteístas acreditam que Abraão preparou o sacrifício do seu filho a Deus, antes de ser contido por um anjo.

Após encontro com os rabinos-chefes de Israel, o papa rezou no local da Última Ceia de Cristo. Ainda na terça-feira, ele celebraria missa campal no Jardim de Getsêmani.

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