Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Sob críticas de Israel, Kerry alerta que novas sanções contra o Irã seriam "quebra de confiança"

Quinta, 14 de Novembro de 2013 às 10:05, por: CdB
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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry argumenta com a chefe do comitê de Política Internacional da União Europeia, Catherine Ashton (C) e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif (terceiro à direita), em recente encontro em Genebra
Se o Congresso dos Estados Unidos impuser novas sanções contra o Irã, isso poderia "romper" as negociações internacionais em andamento destinadas a conter o suposto programa de armas nucleares de Teerã, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, nesta quinta-feira. Kerry falou logo após setores diplomáticos de Israel protestarem contra as negociações em curso que, na opinião do Estado religioso judeu, significariam uma redução acentuada nas penalizações à república islamita do Irã. – O risco é que se o Congresso agir unilateralmente para aumentar as sanções, isso poderia significar uma quebra de confiança nestas negociações e verdadeiramente encerrá-las e rompê-las – afirmou Kerry a repórteres antes da reunião com senadores norte-americanos sobre o assunto. Kerry ainda tenta demover o senador Robert Menendez (democrata de New Jersey), presidente do comitê de Relações Internacionais, que defende uma nova escalada de sanções ao Irã, por conta do programa nuclear. Segundo parte considerável do Congresso norte-americano, Obama não esteria preparado para negociar com os iranianos e corre o risco de trocar "muito por muito pouco", segundo artigo dos jornalistas Jonathan Weisman e Micheael R. Gordon, no diário norte-americano New York Times, desta quinta-feira. "Mau acordo" As declarações de Kerry foram de encontro às afirmações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Ele advertiu, na noite passada, que um "mau acordo" entre as potências mundiais e o Irã sobre o programa nuclear iraniano poderia levar à guerra. O governo israelense afirmou que a oferta sobre a mesa, para o que Washington chama de uma "modesta" amenização das sanções, iria, na verdade, neutralizar até 40% do impacto das sanções, reduzindo a pressão sobre Teerã para abandonar um programa nuclear que o Ocidente e Israel acreditam ser para a construção de uma bomba atômica. Israel vem fazendo um lobby duro contra o acordo proposto que iria inicialmente oferecer alívio parcial das sanções em troca de algumas medidas do Irã para restringir suas atividades nucleares. As negociações entre o Irã e as seis potências mundiais – Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China – não chegaram a um acordo em Genebra no sábado, mas devem ser retomadas em 20 de novembro, com ambos os lados dizendo que estão otimistas. Diplomatas envolvidos no processo não quiseram comentar a avaliação israelense de como um acordo poderia afetar as sanções, dizendo que os termos de qualquer acordo eram incertos e ainda secretos. O Irã diz que seu programa nuclear é pacífico. Os Estados Unidos e a União Europeia acreditam que o país queira desenvolver uma bomba nuclear e impuseram duras sanções contra os setores financeiro e de petróleo no ano passado que causaram graves danos econômicos. Dirigindo-se ao Parlamento israelense em Jerusalém, Netanyahu disse que a continuada pressão econômica sobre o Irã era a melhor alternativa a duas outras opções, que ele descreveu como um mau acordo e a guerra. – Eu chegaria a dizer que um mau acordo pode levar à segunda e não desejada opção – ele disse, querendo dizer a guerra. Israel, apontado como a única potência nuclear no Oriente Médio, há tempos diz que se reserva o direito de usar a força para evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear. Entretanto, muitos especialistas militares duvidam que Israel tenha a capacidade de destruir as instalações nucleares do Irã sem a ajuda norte-americana. Washington diz que é importante buscar uma solução negociada com os iranianos, principalmente após a eleição, neste ano, de um presidente relativamente moderado, Hassan Rouhani. Os Estados Unidos mantêm que qualquer mudança inicial nas sanções seria modesta e reversível, mas Israel diz que os benefícios ao Irã seriam maiores e que as medidas que Teerã tomaria pouco fariam para conter suas ambições. O principal encarregado por Netanyahu para questões iranianas, o ministro das Questões Estratégicas, Yuval Steinitz, disse que o pacote de alívio oferecido ao Irã como parte das negociações poderia valer até US$ 40 bilhões. Negociações secretas Ele afirmou que Israel acreditava que as sanções colocadas em vigor pelos EUA e pela União Europeia no ano passado custaram à economia do Irã cerca de US$ 100 bilhões por ano, ou quase um quarto de sua produção. – O alívio das sanções vai reduzir diretamente entre US$ 15 e US$ 20 bilhões dessa quantia – disse Steinitz, noite passada, em um evento organizado pelo Jerusalem Press Club. Ele acrescentou que as alterações propostas também tornariam mais difíceis aplicar sanções de modo geral, proporcionando um benefício total a Teerã de até US$ 40 bilhões. – O dano às sanções gerais, acreditamos, será algo entre US$ 20 bilhões e talvez até US$ 40 bilhões. Isso é muito significativo. Não são todas as sanções. Não são as sanções principais sobre exportações de petróleo e sistema bancário, mas é um alívio muito significativo para os iranianos – disse. O Irã e seis potências mundiais têm obtido avanços nas últimas semanas rumo a um acordo que restrinja o programa nuclear iraniano, em troca de um alívio às sanções. Os EUA e seus aliados, inclusive Israel, suspeitam que Teerã esteja tentando desenvolver armas atômicas, e por isso o Irã está há anos sob sanções internacionais, apesar de insistir no caráter pacífico das suas atividades. Israel vem bombardeando os seus aliados com argumentos de que a República Islâmica estaria enganando o mundo ao adotar uma posição mais conciliadora desde a posse do presidente moderado Hassan Rouhani, em junho. Uma fonte bem informada sobre as discussões disse à agência inglesa de notícias Reuters que o Irã poderá conseguir autorização para vender US$ 3,5 bilhões em petróleo nos próximos seis meses, além de US$ 2 a US$ 3 bilhões em produtos petroquímicos e US$ 1 a US$ 2 bilhões em ouro. Na atual cotação, isso representaria uma autorização para a venda de 200 mil barris adicionais por dia, ou cerca de 20% de aumento nas exportações. Essa fonte, que criticou a oferta, disse que o acordo em discussão, em termos ainda secretos, prevê também a possibilidade de Teerã importar cerca de US$ 7,5 bilhões em alimentos e remédios, além de US$ 5 bilhões em outros produtos atualmente proibidos. Várias fontes oficiais envolvidas nas discussões dizem que não irão discutir detalhes enquanto as negociações estiverem em andamento.
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