A ditadura que vigora em Honduras impôs uma nova lei que limita a liberdade da mídia, depois de fechar duas emissoras que faziam críticas ao governo golpista. O governo de Roberto Micheletti não cumpriu sua promessa de revogar as medidas emergenciais que no mês passado fecharam a Rádio Globo e o Canal 36, que apoiavam o presidente deposto Manuel Zelaya.
Em lugar disso, na sexta-feira o governo de facto anunciou uma nova medida que lhe confere o poder de fechar emissoras de rádio e televisão que incitam à "anarquia social" ou "ódio nacional". O governo disse que está aplicando regras previstas pelo direito internacional.
– Isso não representa qualquer tipo de controle da mídia. Nenhum jornalista e nenhum veículo de imprensa pode fazer a apologia do ódio e da violência na sociedade – disse à agência inglesa de notícias Reuters o ministro do Interior, Oscar Matute, no sábado.
Micheletti tem sido criticado pela Organização de Estados Americanos e grupos de defesa da liberdade de imprensa por enviar soldados e policiais mascarados para apreender os equipamentos de transmissão da Rádio Globo e do Canal 36. Seu governo acusou as emissoras de incentivar o vandalismo e a insurreição, por anunciarem a realização de protestos.
As duas emissoras estavam entre os únicos veículos de imprensa em Honduras que divulgavam os protestos a favor da volta ao poder de Zelaya, que está refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
– Não há razão legal para a Rádio Globo e o Canal 36 permanecerem fechados – disse Susan Lee, diretora da Anistia Internacional nas Américas, na sexta-feira.
O golpe militar que depôs o esquerdista Zelaya em 28 de junho desencadeou a pior crise em anos na América Central, e vem testando a promessa do presidente norte-americano Barack Obama de uma nova era de engajamento com a América Latina. Os dois lados estão em processo de conversações e negociadores disseram, na sexta-feira, que foram feitos alguns avanços no rumo de uma solução ao impasse.