A situação da Varig nunca foi tão crítica como agora e, na avaliação do coordenador de Estudos de Mercado e Regulação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ronaldo Seroa da Motta, só um milagre para livrar a empresa da falência. Para ele, a solução definitiva que impeça a quebra da companhia "está longe de ser alcançada".
Ele argumentou que somente um fato novo que interessasse a todos os credores e sócios poderia determinar se a Varig ainda tem capacidade de reverter o processo de insolvência.
- Esse fato novo, porém, está cada vez mais difícil, porque cada vez menos se oferece pelo que resta de solvente da companhia. A cada dia o prejuízo aumenta e as ofertas ficam menos apetitosas e menos incentivadoras de cooperação entre as partes interessadas. A solução seria uma reversão muito grande dentro da empresa, em termos de gestão - afirmou.
Isso implicaria, segundo Motta, demissões acentuadas, redução de vôos, concentração em algumas áreas de interesse da empresa, que significariam também "um confronto com os empregados e o sindicato dos funcionários". Na opinião dele, todas as oportunidades já foram perdidas devido à complexidade do caso:
- Sempre havia um número bastante importante dos que, politicamente, achavam que iam perder. Isso inviabilizava o processo.
Motta lembrou que práticas ineficientes de gestão e carga previdenciária muito alta fizeram com que as empresas grandes do setor aéreo, no mundo inteiro, sofressem perdas acentuadas de mercado e problemas de solvência:
- Não é surpresa que isso tenha acontecido com a Varig. Segue um padrão internacional.
Segundo analisou o economista do Ipea, a possibilidade de venda da Varig sempre foi uma solução para a empresa, mas falta consenso entre os acionistas/credores. E "há o temor, no fundo de previdência (Aerus), de que o dinheiro que entre com a venda vá parar nas mãos de um sócio de forma desigual.
- A todo momento há uma briga entre esses acionistas e credores, o que inviabiliza a aquisição da Varig - disse.
Do ponto de vista legal, concluiu, já se caracteriza a situação da Varig como empresa falida, "porque ela está na Justiça, em termos de intervenção econômica da empresa, e nada pode ser feito sem o juiz se pronunciar. A Varig está sendo beneficiada por essa nova Lei de Falências".