Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Só Constituição alternativa pode evitar conflito na Bolívia

Quarta, 19 de Dezembro de 2007 às 06:03, por: CdB

Se o governo de Evo Morales e a oposição não sentarem para negociar e achar uma solução de consenso para a crise política, um texto constitucional alternativo, os conflitos podem se acentuar na Bolívia.

A opinião é do analista Mauricio Ochoa, advogado constitucionalista e presidente da Associação Boliviana de Juristas.Segundo ele, os prefeitos dos departamentos autonomistas (estados que defendem a autonomia) já estão coletando assinaturas para o referendo de aprovação dos estatutos autonômicos e os grupos camponeses aliados ao governo federal já disseram que vão enfrentar qualquer afronta ao poder central de Evo Morales.Ochoa acha difícil prever o que vai acontecer, mas acredita na possibilidade de que os dois lados cheguem a um acordo, já que a Bolívia fez muitas coisas fora da norma em sua história e não seria surpresa se acontecesse de novo.

A Constituição já foi aprovada em Assembléia Constituinte e, portanto, o procedimento legal agora seria levá-la a referendo popular, da maneira como está escrita. O texto foi aprovado sem a participação da oposição, que o acusa do ilegítimo. O analista avalia que a principal culpa disso é da oposição, que não participou das últimas reuniões da Assembléia, mas aponta que o Movimento ao Socialismo (MAS, partido de Evo Morales e majoritário na Assembléia) também tem sua parcela de responsabilidade.Isso porque realizou a penúltima reunião – quando o texto foi aprovado em primeira instância, na cidade de Sucre – num quartel, de forma prematura, e com milícias cercando o local, ou seja, sem as garantias necessárias de segurança para os opositores.

Na ocasião, conflitos deixaram três pessoas mortas.Mauricio Ochoa acha que a única forma de evitar conflitos mais sangrentos é deixar de lado as posições indigenistas, que são radicais, e as autonomistas, que também são radicais.

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