Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Snowden agradece à Venezuela e Nicarágua e espera uma opção para deixar Moscou

Sábado, 06 de Julho de 2013 às 10:48, por: CdB
eua2.jpg
Comunicado de um portal de internet e Hong Kong em apoio a Edward Snowden mostrado junto ao site da Casa Branca, ainda em Hong Kong
Cabe agora ao ex-espião da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden optar por viver na Venezuela ou na Nicarágua, países que lhe ofereceram asilo, após 14 dias retido em um aeroporto de Moscou. Fonte do WikiLeaks, ouvida pelo Correio do Brasil, afirma que ele agradeceu aos países que aceitaram abrigá-lo e irá se pronunciar dentro de mais algumas horas. Enquanto isso, aguardará um possível contato com o Equador, onde inicialmente ele havia demonstrado interesse em se exilar. Na noite passada, quase que simultaneamente, os presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega, e da Venezuela, Nicolás Maduro, ofereceram na sexta-feira asilo a Edward Snowden, quando a situação do informático acusado por Washington de espionagem parecia estancada. Maduro afirmou, durante um ato público no Dia da Independência da Venezuela, que ofereceria "asilo humanitário" a Snowden (...) "para proteger este jovem da perseguição desatada pelo império mais poderoso do mundo". Em Manágua, Ortega também se pronunciou para conceder asilo, confirmando que a embaixada da Nicarágua em Moscou já recebeu um pedido neste sentido por parte de Snowden. A notícia devolve a esperança ao ex-consultor da NSA, que vazou dados secretos sobre um programa norte-americano de vigilância das comunicações mundiais. Neste sábado foram divulgados através do Wikileaks, que forneceu proteção a Snowden, os pedidos de asilo para seis novos países, que se somam aos 21 apresentados dias atrás, mas não foram informados os países em questão. No entanto, as opções de Snowden se reduziram bastante, já que muitas nações se recusaram a conceder asilo a ele. As ofertas destes dois países latino-americanos são um alívio para as autoridades russas, que ainda enfrentam uma situação cada vez mais delicada e que temem provocar com este caso um aumento de tensões ainda maior com os Estados Unidos. "Um asilo para Snowden na Venezuela seria a melhor solução. Este país tem um sério conflito com os Estados Unidos. As coisas não podem ser piores. (Snowden) não pode viver eternamente no aeroporto Sheremetievo", disse neste sábado em sua conta no Twitter Alexei Pushkov, chefe da comissão de Assuntos Exteriores da Duma, a câmara baixa do Parlamento. – A Rússia não quer que (Snowden) esteja aqui. Se quisesse ter concedido asilo a ele, teria feito imediatamente – comentou Maria Lipman, representante em Moscou do Centro Carnegie, com jornalistas da agência francesa de notícias France Press (AFP). Segundo a analista, o presidente russo, Vladimir Putin, também um ex-espião, formado pela antiga KGB soviética, não nutre muita simpatia em relação a Snowden, embora tenha descartado categoricamente extraditá-lo aos Estados Unidos. – Putin não vai ajudar alguém que revela segredos de Estado – explicou Lipman. O russo Alexandre Konvalov, especialista do Instituto de Avaliações Estratégicas, também foi categórico: "Não temos nenhum interesse por ele, gostaríamos que fosse para outro lugar". Imbróglio diplomático O caso de Snowden é responsável, hoje, pela crise diplomática que cresce entre o bloco da Unasul e os países europeus, entre eles Itália, Espanha, França e Portugal, depois de terem negado na terça-feira o uso de seu espaço aéreo à aeronave do presidente boliviano, Evo Morales, quando ele voltava de uma reunião na Rússia, por suspeitas - infundadas - de que o americano poderia estar a bordo da aeronave. Este incidente levou a uma reunião da Unasul na quinta-feira em Cochabamba, na qual os países europeus envolvidos foram chamados a dar explicações e a pedirem desculpas à Bolívia pelo incidente. Os Estados Unidos pediram que a Rússia entregue Snowden, embora não exista nenhum acordo de extradição entre os dois países. Fecharam as portas ao norte-americanos França e Itália, na quinta-feira, assim como Alemanha, Brasil, Noruega, Índia, Polônia, Islândia, Áustria, Finlândia, Holanda e Espanha, ao longo da semana. Snowden ainda não sabe, exatamente, como irá deixar o local onde se encontra. Com o passaporte cancelado pelos Estados Unidos, ele corre o risco de ser interceptado por agentes norte-americanos que o vigiam 24 horas por dia. Ele não pode, teoricamente, deixar a zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo para ir a outro aeroporto, como o de Vnukovo, por exemplo, onde chegam ou de onde partem as aeronaves de líderes estrangeiros. Também não existe voo comercial direto entre Moscou e Caracas, ou Moscou e Manágua, o que o obrigaria a fazer escala em outro país, que, por sua vez, deve dar autorização para que volte a decolar. Outro risco é que os países se recusem a abrir seu espaço aéreo ao avião que leva Snowden, a exemplo do que ocorreu com o avião de Evo Morales.
Tags:
Edições digital e impressa