Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Slobodan Milosevic é impedido de realizar campanha política

Sexta, 12 de Dezembro de 2003 às 09:43, por: CdB

O Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII) restringiu aos detidos Slobodan Milosevic e Vojislav Seselj seus contatos com o exterior, para evitar que façam campanha eleitoral de dentro da prisão da ONU, informaram nesta sexta-feira, fontes judiciais.

Durante os próximos 30 dias ambos terão "proibida a comunicação telefônica especialmente com os meios" assim como todo tipo de visitas com a exceção de seus advogados, da família imediata e representantes diplomáticos ou consulares.

Além disso, as ligações telefônicas e as visitas "autorizadas", serão também "controladas" ou "supervisionadas", segundo a decisão tomada pelo secretário do TPII.

As regras do centro de detenção das Nações Unidas contemplam a possibilidade de restrição dos contatos de um preso "se há razão para crer que o propósito da visita é obter informação para os meios de comunicação".

Trata-se de defender a adequada administração da Justiça e proteger o mandato do TPII de contribuir para a restauração e a manutenção da paz na antiga Iugoslávia.

Milosevic, ex-presidente iugoslavo e fundador do Partido Socialista da Sérvia (SPS), e Seselj, líder do "ultra" Partido Radical Sérvio (SRS), encabeçam as listas de suas respectivas formações para as eleições parlamentares antecipadas do próximo dia 28 na Sérvia.

As leis sérvias não impedem a candidatura de políticos presos e sob procedimento penal contra os quais ainda não foi ditada uma condenação.

Ambos fizeram nos últimos dias "declarações aos membros de seu partido e seguidores utilizando as facilidades do centro de detenção e com a intenção que chegassem aos meios", constata o texto da decisão tomada no TPII.

Milosevic se dirigiu no início do mês por telefone, de dentro de sua cela de Haia, aos membros do Comitê principal do partido que ele fundou em 1990, ao qual se acrescentou seu nome com vistas a estas eleições ("SPS-Slobodan Milosevic").

O ex-presidente iugoslavo foi entregue a Haia em junho de 2001 e desde o ano passado é julgado por crimes de guerra e lesa-humanidade durante a guerra da Bósnia (1992-1995), Croácia (1991-1995) e por genocídio em Kosovo (1999).

Seselj, antigo aliado de Milosevic, se entregou voluntariamente em fevereiro e é acusado de crimes de guerra e lesa-humanidade durante as duas primeiras guerras que desintegraram a antiga Iugoslávia, mas seu julgamento ainda não começou

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