Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Situação na Tunísia permanece tensa

Domingo, 16 de Janeiro de 2011 às 10:05, por: CdB

Os principais partidos da Tunísia começaram as reuniões para formar um governo de unidade nacional. O governo interino  afirmou que planeja investigar a morte de manifestantes civis durante a onda de protestos que levaram à fuga de Ben Ali, após 23 anos no poder.

O estado de emergência continua em vigor e forças de segurança continuam patrulhando o centro da capital, Túnis. O maior sindicato do país, o UGTT, convocou os cidadãos na televisão para a criação de grupos civis de defesa contra saqueadores e vândalos.

Ali Seriati, chefe da guarda pessoal do ex-presidente Ben Ali, foi preso, juntamente com auxiliares. Ele deve ser processado, acusado de atentar contra a segurança do Estado e de ter fomentado a recente onda de violência, de acordo com a televisão estatal tunisiana. As autoridades do país acusam Seriati de conspirar contra o novo governo. 

Começam negociações para governo de unidade

O Conselho Constitucional do país nomeou no sábado Foued Mebazaa como segundo presidente interino em 24 horas. O primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi, havia assumido o governo na sexta-feira, após a fuga do país do presidente Zine El Abidine Ben Ali, que cedeu à pressão dos movimentos populares e de semanas de violentos protestos.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Kadafi criticou deposição de presidenteNa cidade de Regueb, no centro do país, cerca de 1,5 mil pessoas protestaram neste domingo (16/01) contra um governo de unidade, segundo informações de um sindicato. "Não nos revoltamos para que haja a formação um governo com uma oposição de mentira", gritavam os manifestantes.

Kadafi lamenta deposição

O chefe do maior partido islâmico da Tunísia anunciou seu retorno do exílio em Londres. “Os partidos políticos têm agora que substituir a ditadura pela democracia”, disse Rached Ghannouchi, do Ennahdha, proibido sob o regime do ex-presidente Ben Ali. Ghannouchi afirmou que está disposto a participar de um governo transitório.

O chefe de Estado da Líbia, Muamar Kadafi, lamentou a deposição de Ben Ali, afirmando considerá-lo o legítimo presidente da Tunísia. “Não há ninguém melhor que ele”, disse Kadafi em um discurso divulgado pela mídia local. Ao mesmo tempo, ele sugeriu que o país vizinho adote seu modelo de uma "democracia direta".

A perspectiva de eleições antecipadas, entretanto, é motivo de preocupação para muitos tunisianos, que temem que a eleição convocada às pressas não permita que a oposição se organize. Durante o governo de Ben Ali, os políticos da oposição tiveram muito poucas chances de se tornar conhecidos e apresentarem seus programas.

Turistas deixam o país

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Turistas alemães retornamDesde a última sexta-feira, as grandes operadoras de turismo vêm retirando a maioria dos turistas alemães da Tunísia, trazendo-os de volta para casa. A Thomas Cook terminou de retirar seus 2 mil clientes já na noite de sábado.

Os outros turistas alemães que ainda permanecem no país devem ser trasladados até a noite de domingo, segundo informações das operadoras e do ministério do Exterior. A empresa TUI, maior operadora alemã, começou no sábado a retirar, com vôos especiais, todos os seus clientes do país.

"Tive medo", disse Mbarka Khamassi, de Baden-Württemberg, após sua chegada em Stuttgart, no sábado à noite. "Estamos contentes que conseguimos sair", disse Robert Flanigan, de Cloppenburg, depois de ter desembarcado com sua mulher em Hannover. Outros turistas foram surpreendidos com a saída precipitada, porque não haviam percebido nada dos protestos.

O governo da Alemanha apelou para que a Tunísia construa uma democracia. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, ofereceu ajuda ao país. O ministro do Exterior, Guido Westerwelle, pediu ao governo de transição: "Caminhem rumo à democracia, garantam uma estabilidade real".

MD/afp/dpa/dapd

Revisão: Soraia Vilela

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