Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Situação econômica na America Latina tende a piorar ainda este ano

Sexta, 03 de Julho de 2009 às 09:13, por: CdB

Dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Mundial (Bid) mostram que a América Latina sofrerá este ano um impacto forte na economia, com uma contração de entre 2,0 e 2,5%, mas o crescimento voltará em 2010, durante uma recuperação lenta e desigual. A estimativa para 2009 representa uma revisão para baixo do último relatório do organismo sobre a região, de abril, quando a previsão era de uma queda média regional de entre 0,5% e 1,5%.

A crise global, segundo o Banco Mundial, vai atingir a região em cinco aspectos: a América Latina registrará a primeira recessão em sete anos, a pobreza e o desemprego aumentarão, o financiamento externo ficará menor e vai cair o valor das remessas enviadas pelos trabalhadores imigrantes, uma fonte financiamento vital para alguns países. Para 2010, o Banco Mundial prevê um retorno lento do crescimento, entre 1 e 2%, mas desigual entre os países da região.

Ainda segundo o Bid, a pobreza vai aumentar 1,1%, já que a crise empurrará mais de oito milhões de latino-americanos à pobreza. Em 2008, 181,3 milhões de moradores do continente eram pobres. De acordo com o relatório, a crise será especialmente dura com a classe média, em consequência da queda da demanda por exportações não tradicionais que tendem a empregar trabalhadores formais, urbanos e tecnologicamente mais avançados. O desemprego também vai crescer na região e o valor dos salários deve registrar queda, o que aumentará a informalidade.

Em outro relatório, divulgado nesta sexta-feira pela Comissão Econômica para América Latina (Cepal), a pesquisa mostra que a taxa de desemprego tende a aumentar em mais de 1% até o fim do ano 2009. Na véspera, o presidente do Bid, Robert Zoellick, destacou, no entanto, a posição vantajosa dos maiores países da América Latina para enfrentar a crise econômica.

– Tendo trabalhado com crises durante os anos 80 e 90, o que mais chama a atenção é como a América Latina lida com esta crise em uma posição diferente. Obviamente, há uma grande diversidade entre cada país, mas alguns países, incluindo os maiores - como Brasil, México, Colômbia, Peru e Chile - lidaram com a crise de uma posição boa – disse Zoellick, após uma reunião com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, em Santiago.

Segundo Zoellick, os fatores que influenciam este melhor posicionamento incluem orçamentos mais fortes, maiores reservas, melhor posição comercial e um manejo flexível do tipo de câmbio.

– Além disso, passam por uma boa base no que diz respeito à proteção social – disse.

Zoellick, no entanto, acredita que o bom panorama latino-americano não quer dizer que estes países vão passar sem turbulências pela crise do capitalismo mundial.

– Um dos desafios que vários países vão ter que enfrentar é a dificuldade para ter acesso ao financiamento internacional para apoiar alguns de seus programas – disse.

Tags:
Edições digital e impressa