Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Situação de Arruda fica mais complicada após análise de documentos

Segunda, 18 de Janeiro de 2010 às 09:12, por: CdB

Uma série de documentos encontrados pela Polícia Federal na casa e no gabinete do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Distrito Federal Domingos Lamoglia reforça as denúncias do ex-secretário das Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, pivô do escândalo dos Panetones, como ficou conhecido o envolvimento do governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) na distribuição de propina para o seu secretariado e parlamentares da base aliada na Câmara Distrital.

Lamoglia trabalhava como um dos mais próximos assessores do governador de Brasília, até o final do ano passado, no cargo de chefe de gabinete, com acesso pleno ao escritório da residência oficial do governador. Na operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal em 27 de novembro, foram apreendidos um livro-caixa, agendas e papéis com nomes e iniciais de políticos relacionados a números. Segundo a PF, os números estão relacionados à suposta propina, segundo reportagem publicada na edição da revista Época desta semana.

Em uma agenda de 2009, na data de 24 de agosto, os registros de possíveis pagamentos foram separados em dois grupos: pessoal e política. Entre os pessoais, aparece a anotação "Severo=450". Para a PF, esta é uma referência a Severo de Araújo Dias, dono do haras Sparta. A polícia acredita que ele é um laranja de Arruda, verdadeiro proprietário do haras. Em um depoimento, em dezembro, Durval Barbosa afirmou que o haras foi comprado pelo governador como um presente para sua mulher, Flávia Arruda.

Já, no grupo política, estão registros como "Pesquisas=100", "Evangélicos=80" e "Fraterna=100". Segundo a PF, "Fraterna" seria o Instituto Fraterna, ONG presidida pela mulher de Arruda. Também foi encontrada uma agenda com registros de pagamentos. Para a polícia, um deles, de 22 de janeiro de 2007, refere-se ao governador: "R$ 17.700 Arruda".

Defesa

No fim de semana, a assessoria do governador divulgou nota afirmando que Arruda reafirma que desconhece a existência desse material recolhido nas casas dos ex-assessores. A assessoria ainda informa que, quando soube da reportagem da revista, entrou com um comunicado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) informando que a revista teve acesso a documentos sob sigilo de justiça.

"Considerando que as informações são sigilosas, a quebra do sigilo constitui-se em crime, no qual a revista esta colaborando. É lamentável que órgãos de imprensa colaborem com o descumprimento da lei, permitindo a consumação de uma prática criminosa", afirma a assessoria. Segundo a nota, nesta segunda-feira, os advogados começariam a estudar medidas legais para apurar o vazamento.

Propina

Relatório da PF divulgado pela imprensa em dezembro, revelou que o dinheiro apreendido durante a operação na sala de trabalho do então chefe de gabinete, Fábio Simão, veio de empresas que pagavam propina ao governo distrital. Ainda segundo o relatório entregue ao STJ, o dinheiro apreendido tinha a mesma série alfa-numérica tanto na sala de Simão como nas empresas Vertax e Adler, que contribuiam para o suposto esquema Arruda, segundo Durval Barbosa.

Barbosa entregou à PF, em outubro, cerca de R$ 400 mil recebidos das empresas Adler, Vertax e Infoeducacional e Linket. A PF anotou os números de série e marcou com tinta invisível parte das notas. Depois devolveu a Barbosa que distribuiria a pessoas indicadas pelo governador. Quando a operação foi deflagrada, um mês depois, a polícia apreendeu uma quantia maior, cerca de R$ 700 mil, sendo parte dessa quantia encontrada na sala de Simão.

Além do dinheiro que circulou na sala do chefe de gabinete de Arruda, outra parte também foi apreendida na casa de Lamoglia. "Temos fortes indícios que o dinheiro marcado é o mesmo que foi encontrado na casa", diz relatório da polícia. Lamoglia e Simão negam envolvimento no esquema, segundo apurou o diário paulistano Folha de S. Paulo.

Fim de carreira

Para o vice-governador do DF, Paulo Octávio, chegou ao fim a carreira política. Ele informou à direção de seu partido, o DEM, que planeja deixar a vida pública, segundo disse o presidente da legenda, Rodrigo Maia (DEM-RJ) a jornalistas. Paulo Octávio, tão envolvido quanto o governador Arruda no escândalo dos Panetones, não foi sequer processado pelo DEM, que chegou a ameaçar Arruda de expulsão, forçando-o a se retirar do partido para não peder os direitos políticos por até uma década.

Paulo Octávio, no entanto, segue como presidente do diretório do DEM no Distrito Federal.

Tags:
Edições digital e impressa