A Argentina ultrapassou a moratória, mas a crise financeira em que se encontra ganha contornos dramáticos como as letras dos tangos de Buenos Aires. A crise econômica que atingiu o país em 2001, ainda mantém o país em "um inferno", disse nesta quarta-feira o presidente argentino, Néstor Kirchner, à rádio uruguaia Diez, de Montevidéu.
Kirchner disse nesta terça-feira que "foi um sucesso" a troca de títulos da dívida da Argentina, de US$ 81,8 bilhões (R$ 211,4 bilhões), apesar das expectativas negativas dos analistas.
- Estamos nos recuperando da pior crise de nossa história. Com um grande esforço, nosso país deixou para trás a moratória - disse Kirchner durante discurso na sessão de abertura do ano legislativo no Congresso.
A crise na Argentina, que culminou com a moratória em dezembro de 2001 e com a desvalorização cambial, deixou, em maio de 2002, 21,5% da população economicamente ativa desocupada e outros 18,6%, sub-ocupados. O Brasil também perdeu com a crise argentina. Em 2002, as exportações brasileiras para o pais vizinho recuaram mais de 40%, principalmente nos setores de peças e automóveis, têxteis, calçados e avícola.