Síria registra os maiores protestos e 32 morrem, dizem ativistas
Por Khaled Yakoub Oweis
AMÃ (Reuters) - As forças sírias mataram pelo menos 32 civis na sexta-feira, inclusive 23 em Damasco, a capital, intensificando a repressão aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad, segundo ativistas.
Esse foi o maior número de mortos em bairros centrais de Damasco desde o início da rebelião na Síria, que começou há quatro meses e está cada vez mais intensa.
"Dezenas de milhares de damascenos saíram às ruas nos principais bairros pela primeira vez hoje (sexta-feira), por isso o regime recorreu a mais assassinatos", disse um ativista falando por telefone da capital, e que pediu anonimato por medo de ser preso.
Por causa da violência, a oposição cancelou uma conferência intitulada Salvação Nacional, que deveria acontecer no sábado no bairro de Qaboun. O líder oposicionista Walid al-Bunni disse à Reuters que a decisão foi tomada depois que as forças de segurança mataram 14 pessoas em frente a um salão nupcial onde a conferência ocorreria.
"A polícia secreta também ameaçou o dono do salão nupcial. Decidimos cancelar o encontro para salvar vidas", disse Bunni por telefone. Segundo ele, ativistas e membros da oposição vão se encontrar no sábado numa outra conferência em Istambul.
Houve também oito mortes nos bairros de Rukn al-Din e uma no bairro de Barzeh, além de dois no subúrbio de Qadam, ao sul da capital, segundo ativistas.
De acordo com testemunhas, houve quatro mortes também na cidade de Deraa (sul), berço da rebelião, três na província de Idlib (noroeste), e dois na cidade de Homs.
Assad enfrenta desde março os maiores protestos em 40 anos de domínio político do partido Baath na Síria. Cerca de 1.400 pessoas já morreram, segundo entidades de direitos humanos, mas as manifestações só vêm crescendo.
"Essas foram as maiores manifestações até agora. É um claro desafio às autoridades, especialmente quando vemos todos esses números de Damasco pela primeira vez", disse Rami Abdelrahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos.
Uma testemunha no bairro de Rukn al-Din disse que centenas de jovens com máscaras brancas usaram paus e pedras para resistir à ação dos soldados. "Abaixo, abaixo Bashar al-Assad", gritavam.
Em Hama, cenário de um massacre militar em 1982, imagens transmitidas por moradores mostraram uma multidão na praça Orontos, a principal da cidade, gritando que "o povo quer derrubar o regime"."
Na província de Deir al-Zor (leste), onde dois manifestantes foram mortos na véspera, segundo relatos de moradores, os protestos de sexta-feira reuniram pelo menos 350 mil pessoas, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos.
(Reportagem adicional de Mariam Karouny e Oliver Holmes, em Beirute; e de Andrew Quinn, em Istambul)
Reuters