A Síria começará a tirar suas forças do Líbano para o Vale do Bekaa na segunda-feira, informou um ministro libanês à Reuters, no primeiro estágio do que o governo sírio afirma ser uma retirada rápida em duas fases.
- A retirada começa amanhã - disse o ministro da Defesa do Líbano, Abdul Rahim Mrad, acrescentando que as forças vão recuar do norte do Líbano e do Monte Líbano seguindo o Acordo Taif, que encerrou a guerra civil libanesa (1975-90).
Sob intensa pressão global, o presidente sírio, Bashar al-Assad, anunciou no sábado planos para uma retirada completa das tropas do Líbano, mas disse que Damasco ainda terá uma função no seu vizinho.
Mrad disse neste domingo que a retirada começará imediatamente depois de uma reunião em Damasco entre os líderes dos dois países para aprovar o plano de retirada de Assad.
A imprensa libanesa descreveu o plano como um movimento histórico que abre um novo capítulo após 30 anos de domínio sírio.
Os libaneses saudaram o anúncio de Assad com gritos de alegria no centro de Beirute. Figuras da oposição no Líbano e líderes europeus receberam a medida com cautela.
Washington, que afirma que o "apoio ao terrorismo" da Síria impede a paz no Oriente Médio, minimizou o plano, dizendo que é inadequado e reiterou seu pedido por uma retirada completa e imediata.
"Acordamos hoje no Líbano para uma nova realidade política, a abertura de uma nova fase na história do país", sustentou o jornal As-Safir em editorial na capa neste domingo. O jornal Al-Mustaqbal classificou o anúncio como "evento histórico".
Assad disse ao parlamento que as tropas sírias vão ser recuadas inicialmente para o Vale do Bekka, no leste do Líbano, e depois para a área na fronteira.
O acordo Taif estipulou a retirada das tropas sírias da maior parte do país em dois anos. A resolução 1559, adotada pelo Conselho de Segurança da ONU em setembro, com iniciativa dos EUA e da França, pede a retirada completa das tropas estrangeiras do Líbano.
A Síria mantém tropas no Líbano desde que interveio em sua guerra civil nos anos 1970 e atualmente tem 14 mil soldados.
O Hizbollah e seus aliados locais convocaram uma manifestação no centro de Beirute na terça-feira em apoio à Síria e contra intervenção estrangeira.