Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Síria tenta iniciar diálogo nacional, mas oposição boicota

Os principais grupos oposicionistas da Síria boicotaram neste domingo as conversações para um diálogo nacional, mas o vice-presidente Farouq al-Shara disse que o país, há meses mergulhado em protestos contra o governo, não tem alternativa ao diálogo.

Domingo, 10 de Julho de 2011 às 06:53, por: CdB
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Os principais grupos oposicionistas da Síria boicotaram neste domingo as conversações para um diálogo nacional, mas o vice-presidente Farouq al-Shara disse que o país, há meses mergulhado em protestos contra o governo, não tem alternativa ao diálogo. Sharaa fez a declaração no início de um encontro de dois dias com o objetivo de estabelecer as linhas básicas para o diálogo nacional prometido pelo presidente Bashar al-Assad, que está sob pressão de manifestantes que pedem sua saída do poder, no maior desafio enfrentado em seus 11 anos de regime. A reunião foi prejudicada pela ausência dos principais líderes e grupos oposicionistas, que rejeitaram o chamado de Assad pelo diálogo e disseram que não tomarão parte em nenhuma conversação enquanto as autoridades não puserem fim à repressão militar e libertarem milhares de presos políticos. – Neste momento não há alternativa ao diálogo. (A alternativa) é derramamento de sangue, sangramento da economia e autodestruição. O diálogo nacional tem de continuar e em todos os níveis... para virar a página do passado e abrir uma nova página na história da Síria – disse Sharaa a mais de 200 participantes do encontro, incluindo intelectuais parlamentares independentes e oposicionistas menos destacados. A Síria impôs restrições à imprensa. A reunião foi transmitida ao vivo pela TV local. Inspirados pelos protestos no Egito e Tunísia, que levaram à deposição dos dirigentes desses países, dezenas de milhares de sírios saíram às ruas em março para pedir mais liberdades civis. Os protestos também foram desencadeados pela raiva e frustração com a corrupção e a pobreza. Assad respondeu aos manifestantes com um misto de força e promessas de reformas. Ele enviou soldados e tanques para cidades e vilarejos para esmagar as revoltas. Milhares de pessoas foram presas. O presidente sírio também adotou medidas em prol de reformas, incluindo a concessão de cidadania a alguns curdos, remoção de um draconiano estado de emergência, libertação de centenas de prisioneiros e um chamado ao diálogo nacional. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que mais de 1.300 civis foram mortos nas manifestações e 12 mil pessoas foram presas desde o início da revolta. As autoridades afirmam que mais de 500 soldados e policiais morreram em confrontos provocados por grupos militantes. A Síria atribui a violência a grupos islâmicos armados. Governos ocidentais condenaram a violência do regime de Assad contra os protestos, mas até o momento suas medidas práticas se limitaram à imposição de sanções contra autoridades sírias, numa reação bem distante da intervenção militar desencadeada contra a Líbia, de Muammar Gaddafi.
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