Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Síria: guerra entra mais fragmentada do que nunca em 2015

Mergulhada num conflito civil desde 2011, a Síria parece mais uma colcha de retalhos composta de feudos em guerra do que um Estado, deixando as potências externas mais relutantes em intervir apesar de o país se tornar um fator ainda mais desestabilizador para a região.

Quinta, 25 de Dezembro de 2014 às 13:23, por: CdB
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Milícias curdas no nordeste lutam contra o Estado Islâmico de forma coordenada com os EUA
  Mergulhada num conflito civil desde 2011, a Síria parece mais uma colcha de retalhos composta de feudos em guerra do que um Estado, deixando as potências externas mais relutantes em intervir apesar de o país se tornar um fator ainda mais desestabilizador para a região. Os Estados Unidos finalmente entraram na guerra síria neste ano, três anos depois de o presidente norte-americano, Barack Obama, dizer que o líder sírio, Bashar al-Assad, deveria deixar o poder. No entanto, os EUA entraram de maneira relutante, para bloquear o avanço dos combatentes do Estado Islâmico no vizinho Iraque, e sem se aliar a Assad. Com mais de 200 mil mortos e milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas, a desintegração da Síria pode piorar ainda mais no futuro devido à surpreendente queda dos preços do petróleo em dezembro. A nova pressão econômica pode tornar ainda mais difícil que uma das facções do conflito ganhe uma vantagem decisiva. As tentativas para encontrar uma “solução política”, que, segundo as potências mundiais, é a única saída para a crise, possivelmente um acordo entre Assad e seus oponentes, não deram em nada até agora. No momento, não está claro nem mesmo o que faria parte de uma solução futura. As forças anti-Assad mais poderosas são grupos islâmicos radicais, como o Estado Islâmico e a Frente Nusra, ligada à Al Qaeda. Para muitos analistas, as potências ocidentais e oponentes regionais do regime sírio, como a Arábia Saudita, veem agora as facções dominantes como grupos que eles não podem apoiar, o que limita as opções desses países.   - A ideia de oposição evaporou para a Arábia Saudita - afirmou Nasser Qandil, editor de um jornal libanês e ex-parlamentar, que tem boas relações com Damasco. “Eles sabem que as opções são o Estado Islâmico e a Nusra ou o regime. Não há terceira opção.” Qandil disse que muitos na região e, talvez, até o Ocidente estão optando por uma estratégia de, segundo ele, “recuo”, o que significa deixar os combatentes sírios lutarem por conta própria. Washington diz que o apoio aos adversários “moderados” de Assad é parte da sua estratégia. Entretanto, ao bombardear o Estado Islâmico diariamente e realizar alguns ataques contra a Frente Nusra, os EUA têm liberado a força aérea síria para lutar em outros locais contras outros oponentes. As forças de oposição às quais o Ocidente já demonstrou algum apoio estão agora divididas em centenas de grupos, com diferentes ideologias e interesses. Milícias curdas no nordeste lutam contra o Estado Islâmico de forma coordenada com os EUA, mas têm papel pequeno fora do enclave étnico. Milícias pró-Assad têm hoje um papel no conflito que nunca tiveram antes. - Cada vez mais lideranças regionais surgem na Síria, e elas estão se tornando mais difíceis para o governo controlar, o que aumenta a pressão sobre o regime - disse Lina Khatib, diretora de um centro de estudos sobre o Oriente Médio em Beirute. “Acho que 2015 vai ser caos total para a Síria”.  
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