Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Síria: enfim, a ONU sai do muro

Quinta, 04 de Agosto de 2011 às 09:30, por: CdB

Até que enfim a Organização das Nações Unidas tomou posição em relação à Síria. Seu Conselho de Segurança (CS-ONU) aprovou uma declaração presidencial, lida pelo seu presidente rotativo, o embaixador indiano Hardeep Singh Puri. Em resumo, o documento condena as agressões do regime sírio contra a população civil desde o início dos protestos contra o ditador Bashar Assad. E rejeita as "violações generalizadas dos direitos humanos e o uso da força contra os civis por parte das autoridades sírias". E, ainda que não tenha o mesmo status e o peso político de uma "declaração presidencial" da organização, já é alguma coisa. O documento pede o cessar imediato da violência. Mas há dois meses tem sido foi alvo de desentendimentos sobre como tratar o caso sírio, em função de vetos da Rússia e da China, membros com assento permanente no CS-ONU. Mas, diante do massacre na cidade síria de Hama ter deixado cerca de 80 mortos, além de mais de uma centena, em outras manifestações ao redor do país, a ONU, enfim, foi obrigada a se manifestar. Omissão e contradição Diplomaticamente, o texto solicita às autoridades sírias "respeito aos direitos humanos" e que cumpram com "suas obrigações perante as leis internacionais". Assegura que "os responsáveis pela violência devem ser responsabilizados" por suas ações. O documento defende para a crise no país a realização de um "processo inclusivo liderado pelos sírios, com o objetivo de efetivamente se dirigir às aspirações legítimas e preocupações da população". Até aqui, a omissão das potências ocidentais, em particular dos Estados Unidos, em relação à situação síria, ignorando a brutal repressão desencadeada pela ditadura Assad, era a prova viva da hipocrisia das grandes potências em relação ao Oriente Médio e regiões vizinhas. De um lado, o longo silêncio ante os desmandos na Síria. De outro, a ilegal e imoral intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, respaldada por resolução do mesmo CS-ONU. Essa mesma hipocrisia permitiu que, na Líbia, a ONU "legalizasse" seus ataques e bombardeios. Já em relação à Assad, só agora, depois de centenas de mortes e milhares de vítimas temos uma tímida declaração presidencial. Com tenho dito aqui em outras ocasiões, nessa contradição chocante, saltam aos olhos os o jogo de interesses geopolíticos dos EUA e demais potências no país de Assad. Para além das fronteiras da Síria Predomina o temor, entre as grandes potências, de que a rebelião popular síria transborde as fronteiras do país e complique seus interesses na Arábia Saudita, no Iêmen, no Qatar, no Bahrein e demais emirados. Por ali, a regra são ditaduras sustentadas pela mesma diplomacia norte-americana e potências integrantes da OTAN.

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