A Síria rejeitou, nesta sexta-feira, as acusações, feitas pelos Estados Unidos, de que estaria construindo um reator nuclear secreto capaz de produzir plutônio com ajuda da Coréia do Norte. O governo sírio disse que as alegações norte-americanas eram ridículas.
As acusações foram feitas na quita-feira por representantes do alto escalão da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, perante membros do Congresso americano.
Eles disseram que o local em que o reator estaria localizado foi destruído por um ataque aéreo israelense em setembro de 2007. Mas, segundo a CIA, ele foi reconstruído e poderia estar funcionando em questão de meses.
A Síria sempre negou que estaria desenvolvendo um programa nuclear. A Coréia do Norte também negou que estivesse transferindo tecnologia nuclear para a Síria.
Segundo agência estatal síria Sana uma fonte oficial teria ficado espantada com "campanha de difamação lançada pelo governo Bush contra a Síria sobre as supostas atividades nucleares".
A fonte também comentou que este passo dado por Washington se inscreve dentro das negociações que mantém com a Coréia do Norte sobre a questão nuclear.
Para a fonte, aos EUA devem atuar de maneira responsável e parar de "criar mais crise no Oriente Médio, que ainda sofre as conseqüências do fracasso das políticas norte-americanas".
O embaixador sírio em Washington, Imad Mustafa, já havia rejeitado ontem energicamente as acusações, e afirmou que, "se mostram um vídeo, lembrem que os EUA foram ao Conselho de Segurança da ONU (em fevereiro de 2003) e expuseram provas e imagens de armas de destruição em massa no Iraque".
Vídeo
Na sua apresentação perante o Congresso, os representantes da CIA mostraram imagens de vídeo que supostamente provam que norte-coreanos estariam trabalhando nas instalações do reator sírio.
Uma das imagens mostra dois homens lado a lado, que seriam, segundo a CIA, um alto dirigente do programa nuclear norte-coreano e o chefe da comissão de energia atômica da Síria.
As imagens, que teriam sido obtidas por Israel, mostrariam fortes semelhanças entre a instalação síria e o reator nuclear de Yongbyon - apesar de não estar operante. A divulgação das informações pela CIA coincide com o fim de uma reunião de dois dias entre autoridades dos Estados Unidos e da Coréia do Norte para discutir o suposto não-cumprimento, por parte dos norte-coreanos, de termos um acordo sobre a suspensão de seu programa nuclear.
No acordo, fechado em fevereiro de 2007, o governo da Coréia do Norte concordou em fechar seu principal reator nuclear e divulgar informações sobre seu programa nuclear até dezembro de 2007. No entanto o governo perdeu o prazo e, enquanto está tomando providências para fechar o reator de Yongbyon, ainda não forneceu uma declaração de suas atividades nucleares à comunidade internacional.