Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Síria diz que pode retirar Exército do Líbano em alguns meses

Terça, 01 de Março de 2005 às 16:06, por: CdB

O presidente sírio Bashar al-Assad disse esperar que as tropas sírias saiam do Líbano dentro de alguns meses, enquanto centenas de manifestantes libaneses voltaram às ruas do centro de Beirute na terça-feira para exigir que a Síria deixe o seu país.

A Síria mantém 14.000 soldados no Líbano, mas seu papel dominante no país vem sofrendo pressão constante devido a manifestações maciças provocadas pelo assassinato, no mês passado, do ex-premiê libanês Rafik al-Hariri.

Duas semanas de protestos inéditos obrigaram o gabinete do premiê Omar Karami, pró-Síria, a renunciar na segunda-feira, pressionando Damasco. A medida deixou nas mãos das autoridades uma complicada busca por um novo premiê.

"(A retirada) deve acontecer muito em breve, talvez nos próximos meses. Não depois disso", disse Assad à Time em uma entrevista publicada no site da revista na terça. "Não posso lhe dar uma resposta técnica. O ponto é nos próximos meses."

Assad não deu um cronograma definitivo para a retirada de seu Exército, dizendo que isso dependia de considerações técnicas, e não políticas. "Eu não poderia dizer que faremos isso em dois meses porque não me reuni com o pessoal das Forças Armadas. Eles podem dizer que (a retirada) vai demorar seis meses."

Temores no mercado de um vácuo político colocaram a libra libanesa sob intensa pressão, obrigando o Banco Central a mexer em suas reservas de câmbio de moedas estrangeiras para defender sua moeda.

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, elogiou o que chamou de medidas para restaurar a democracia no Líbano. "Os eventos no Líbano estão apontando para uma direção muito importante", disse ela em Londres. "O povo libanês está começando a expressar suas aspirações pela democracia... Isso é algo que apoiamos muito."

Rice e o ministro das Relações Exteriores da França, Michel Barnier, voltaram a pedir à Síria que retire suas tropas do Líbano. Washington e Paris, co-patrocinadores da resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, que exige o fim da interferência estrangeira no Líbano, pediram que as eleições gerais planejadas para maio sejam livres e justas e sugeriram assistência internacional.

Milhares de manifestantes transformaram uma praça de Beirute em um mar de bandeiras libanesas na noite de segunda-feira e celebraram quando o governo surpreendentemente renunciou depois de um debate parlamentar sobre o assassinato de Hariri.

Os manifestantes deixaram as ruas na madrugada de terça, mas logo algumas centenas voltaram, prometendo manter os protestos até que as tropas sírias deixem o país.

"Após a renúncia do governo, nossas esperanças de que a Síria saia aumentaram", disse Patrick Risha, um estudante de ciências políticas de 22 anos à Reuters na Praça do Mártir. "Isso nos encoraja a ficar aqui e continuar com nosso protesto."

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