As tropas sírias, presentes no Líbano há 29 anos, completarão sua retirada definitiva do país neste domingo, confirmou neste sábado uma fonte oficial do Ministério libanês de Defesa. A fonte, que pediu para não ser identificada, disse que hoje os soldados sírios começaram a abandonar a última posição militar que ocupavam em território libanês.
Caminhões repletos de material e homens iniciaram a saída da posição, próxima à antiga cidade romana de Baalbeck, pouco depois do cair da noite no Vale de Bekaa, fronteira com a Síria.
Os veículos rumaram para a cidade fronteiriça síria de Homs, deixando para trás a segunda maior posição que possuíam no Líbano.
Em seu caminho, as tropas de Damasco destruíram grande parte das instalações que ocupavam desde 1976, ano em que cerca de 35.000 soldados sírios entraram no Líbano sob mandato da Liga Árabe, para mediar a guerra civil libanesa (1975-1990).
Algumas unidades ficarão até terça-feira na localidade de Rayak, próxima à fronteira, onde será realizado um ato militar para marcar o fim da presença militar síria.
A cerimônia - na qual será prestada uma homenagem aos soldados sírios caídos em território libanês e erguido um monumento - terá a participação do chefe do Estado Maior do Exército do Líbano, general Michael Suleiman, e de seu colega sírio, Ali Habib.
Segunda-feira, um dia antes, chegará a Beirute uma equipe especial da ONU, com a missão de certificar a ansiada e histórica retirada militar.
A saída das tropas sírias era um antigo sonho que a oposição libanesa, principalmente os cristãos maronitas e os drusos, alimentavam desde a assinatura dos acordos de Taif, que em 1990 puseram fim ao conflito no Líbano.
Em 2000, após o exército israelense ter se retirado dos territórios que durante 22 anos ocupou no sul libanês, o Exército sírio redistribuiu suas tropas e as reduziu de 30.000 para 14.000 homens.
O estopim da saída definitiva das tropas sírias foi o assassinato, em 14 de fevereiro, do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, crime pelo qual a oposição responsabilizou o regime de Damasco.
Os opositores exigiram que fossem cumpridas as cláusulas dos acordos de Taif, enquanto que a comunidade lembrou a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, promovida em setembro passado por França e EUA e que pedia o fim da ingerência da Síria nos assuntos internos do Líbano.