Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Sindicato estima 100 mil demissões na construção civil nos últimos meses do ano

Quarta, 03 de Dezembro de 2008 às 17:26, por: CdB

Os últimos três meses do ano não serão de boas notícias para os trabalhadores da construção civil. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), calcula que 100 mil funcionários do setor devem perder o emprego.

Em entrevista nesta quarta-feira à Agência Brasil,  o presidente da entidade, Antonio de Souza Ramalho, afirmou que cálculos feitos pelos técnicos do sindicato revelam que construtoras e outras empresas do ramo, que empregavam até o mês de outubro 2,1 milhões de pessoas, devem chegar ao fim do ano tendo dispensado 4,7% dos seus trabalhadores.

- Notamos um aumento muito grande no número de demissões homologadas pelo sindicato desde a segunda semana de outubro - afirmou Ramalho, citando que o número de homologações de demissão realizadas pelo sindicato praticamente triplicou desde a segunda quinzena de outubro.

De acordo com ele, o final do ano, tradicionalmente, é um período de demissões devido a maior freqüência de chuva com a conseqüente redução no ritmo de execução das obras. Este ano, contudo, a crise financeira tem levado ao cancelamento de novos projetos e motivado a dispensa, principalmente, de trabalhadores da administração e projetos.

- O pessoal da obra não sofre tanto, pois há muita coisa para acabar - complementou.

- Porém o pessoal que trabalha com os projetos está com o emprego mais comprometido - disse Ramalho.

Em entrevista coletiva concedida também hoje, o diretor econômico do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, confirmou o período sazonal de demissões, porém preferiu não fazer estimativas de quantos trabalhadores serão dispensados.

- Posso falar sobre a tendência [de demissões], mas não posso falar de números - disse ele, quando questionado sobre a quantidade de dispensas.

Zaidan disse, entretanto, que o setor - maior gerador de emprego do país em 2008 - deve retomar seu nível de emprego no início do ano que vem, com a normalização do trabalho nas obras.

- As obras que já foram iniciadas terão de ser entregues e vamos precisar de mão-de-obra para isso - disse.

Já sobre a ampliação de contratações para o ano que vem, ele afirmou que isso dependerá do aumento do número de lançamentos de novos projetos.
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