Sindicalista argentino denunciado como agente da ditaduraA Liga Argentina pelos Direitos do Homem e a Associação de ex-Detidos Desaparecidos, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores da indústria da Construção e Afins apresentaram uma denúncia para que a justiça investigue se o titular da União Operária da Construção da República Argentina, Gerardo Martínez, integrou a “equipe de pessoal civil de inteligência” do Batalhão 601 durante a última ditadura militar, tal como aparece nos documentos desclassificados do referido batalhão.
Página/12
A Liga Argentina pelos Direitos do Homem e a Associação de ex-Detidos Desaparecidos, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores da indústria da Construção e Afins (SIRTRAIC) apresentaram uma denúncia para que a justiça investigue se o titular da UOCRA (União Operária da Construção da República Argentina), Gerardo Martínez, integrou a “equipe de pessoal civil de inteligência” do Batalhão 601 durante a última ditadura militar, tal como aparece nos documentos desclassificados do referido batalhão.
Graciela Rosenblum, integrante da Liga, que se apresentou ante o tribunal federal número 9 de Sergio Torres, explicou na denúncia que “na lista do Arquivo da Memória está o nome de Gerardo Martínez com um número de documento”. “Pesquisamos essa informação e descobrimos uma página da internet onde o titular da UOCRA, Gerardo Martínez, figura com o mesmo documento”, esclareceu. Rosenblum assinalou que a apresentação indica que “partindo do fato que o juiz Ariel Lijo declarou o Batalhão 601 como associação ilícita, solicitamos à Justiça que verifique se estamos falando da mesma pessoa (Gerardo Martínez) e que, sendo assim, investigue-se a associação ilícita da qual seria membro, que seja detido e acusado pela desaparição forçada de 105 trabalhadores da UOCRA durante a ditadura”.
A apresentação também foi acompanhada pela titular das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora, Nora Cortiñas, que, em conversa com a Agência Diários e Notícias (DyN), admitiu que “nos preocupa e queremos que a justiça investigue e que se saiba a verdade”. Oscar Castro, membro do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Afins (SIRTRAIC), ressaltou também que, “de 1976 a 1983 pertenceu aos serviços de segurança do Estado, como pessoal civil da agência de segurança do Estado”.
Entre os denunciantes figuram também o Centro de Advogados pelos Direitos Humanos (CADHU), Liberpueblo, a Agrupação pelo Esclarecimento do Massacre Impune da AMIA (APEMIA), o Movimento Territorial Liberación, a Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), do setor de Pablo Micheli, a Associação Gremial Docente da Universidade de Buenos Aires (AGD-UBA), e a CORREPI, entre outros.
Tradução: Katarina Peixoto