Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Simpósio discute o Brasil após os 40 anos da ditadura

Encontro promovido pela UFRJ e UFF, com o apoio do Correio do Brasil, vai debater os prós e contras do período mais turbulento da História do Brasil. (Leia Mais)

Domingo, 21 de Março de 2004 às 16:19, por: CdB

As perspectivas dos rumos políticos para o Brasil e a inserção do país no cenário internacional, além da forma como se comporta o pensamento estratégico e militar no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são os principais temas em debate no simpósio 1964/2004 - Ontem, Hoje e Depois, que os departamentos de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promoverão entre os dias 31 de março e 2 de abril, no Rio e em Niterói.

Coordenado por três cientistas políticos, o debate reunirá desde professores a militares e integrantes do governo federal e tende a transcender os 40 anos vividos desde o golpe de Estado, em 1964, para dar lugar às projeções para o comportamento das áreas econômica, política e militar no cenário contemporâneo.

Chefe do Departamento de Ciência Política, integrante do Núcleo de Estudos Estratégicos (Nest) e professor de pós-graduação em Ciência Política da UFF, Eurico de Lima Figueiredo resume o ponto central dos debates.

- Visamos promover uma visão crítica por parte da universidade brasileira a respeito de um dos movimentos mais importantes de nossa história republicana, o 31 de março de 1964 - descreve.

A realidade brasileira, nestas quatro décadas, para o professor Figueiredo, mostra que "o principal aspecto na relação entre os militares e a política, após o encerramento do ciclo militar é, pela primeira vez na história republicana, o surgimento de um padrão essecialmente democrático. Isto é, as Forças Armadas passaram a ser leais e submetidas aos termos constitucionais".

- Esta realidade se deve a diversos fatores, mas dois deles precisam ser ressaltados. O primeiro é que a tutela militar foi terminada entre nós como sendo um grande fracasso, em todos os sentidos. E o seguinte é que, a partir de meados dos anos 60 foi surgindo, até como forte reação ao regime militar, um crescente organização das instituições públicas da sociedade civil - afirmou.

Dos pontos-de-vista político e econômico, porém, na visão de outro coordenador do simpósio, o professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ Aluisio Alves Filho, o quadro que se apresenta é de "muita apreensão".

- As pesquisas mais respeitáveis apontam que o prestígio do presidente Lula está em queda junto à opinião pública. Chegamos à Semana Santa sem um projeto delineado de crescimento para o país, o que consolida no pensamento popular a sensação de que o eleitor foi ludibriado por um discurso que, na realidade, não se materializou. Segundo as palavras do próprio presidente, em sua posse, "esgotou-se o modelo que gerou recessão, miséria e desemprego".
Este, no entanto, é o mesmo modelo que o atual governo vem seguindo à risca - disse o professor, em uma breve síntese de sua participação no simpósio.

Na área internacional, coordenada no simpósio por Maurício Dias David, economista do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e professor de pós-graduação em Ciência Política da UFF, o quadro também não é muito animador quando se trata das relações entre o Brasil e os EUA. Esbarrões e trancos são uma realidade que tende a se consolidar nos próximos meses.

- A remoção da embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hrinak, nos próximos dias, já significa uma sensível mudança no tom do relacionamento do Brasil com o governo de George W. Bush. A menos que o Partido Democrata vença as eleições, pode-se se esperar um jogo muito mais duro dos EUA com a política externa do governo federal - prevê Dias David, que no simpósio integra a mesa Relações Internacionais: 1964 e 2004.

As inscrições para o simpósio são livres e os debates acontecerão nos dias 31 de março e 1º de abril no auditório do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF) da UFF, no Campus do Gragoatá, Bloco O, 2º andar. No dia 2 de abril, o encontro prossegue no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifics), no Largo de São Francisco,

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